Abre-portas em todo o mundo
Com a Folha debaixo do braço, o gira-mundo João Milanez foi a todo lugar. No Congresso, ele conheceu o deputado carioca Tenório Cavalcanti, O Homem da Capa Preta, que andava com uma metralhadora. Ouviu discursos de Carlos Lacerda. Nos EUA, esteve com o lendário cientista Werner Von Braun e a escritora americana Pearl S. Buck, Nobel da Literatura nos anos 40. Não esqueço da palestra da escritora, principalmente quando ela afirmou que só 3% da população do mundo pratica o mal, ponderando que se os outros 97% se unissem, poderiam diminuir os malefícios sobre a Terra. Foi aplaudida de pé por 15 mil pessoas.
Em Washington, Milanez esteve com os presidentes Dwight Eisenhower e John Kennedy. Em Capetown (África do Sul), visitou Christian Barnard, no hospital em que o cirurgião fez o primeiro transplante de coração do mundo; conheceu Salazar no Estoril, Franco em uma tourada, os três últimos papas. Lembra-se do chanceler alemão Konrad Adenauer. E também de Augusto Pinochet, que conheceu quando ditador no Chile. Conheceu todos os presidentes do Brasil, menos Fernando Collor. Lembra que JK esteve na Folha.
Milanez privou, também, da amizade de Chateaubriand, Júlio de Mesquita Filho. E, claro, esteve com todos os governadores do Brasil, em diferentes ocasiões. Nestes 50 anos de Folha, Milanez foi jornalista e participante dos eventos todos que marcaram a história do Paraná, do Brasil e do mundo.
Perguntado sobre como antevê o futuro, João Milanez é simples e direto: Assim como até agora, vamos continuar enfrentando dificuldades, mas creio que a Folha vai continuar sendo o milagre que se repete a cada dia. Ele gosta de dizer que apenas 3% dos empreendimentos em todo o mundo chegam aos 50 anos com o mesmo fundador. Só 1%, diz, chegam aos 70 anos na mesma situação. Com 75 anos bem vividos, Milanez não descarta a possibilidade de estabelecer o outro recorde. E o de que também gosta de citar é que a Folha tem sido uma escola de jornalismo.
Milanez narra com satisfação que o governador Jaime Lerner contou que, em sua primeira campanha para o governo, foi entrevistado em jornais do Rio e de São Paulo por profissionais formados pela Folha. Em toda parte, a gente encontra jornalista que começou aqui. Antes de haver escola de jornalismo, a Folha já formava profissionais. Mesmo agora, temos uma equipe brilhante, formada por alguns dos melhores do gênero no País.
Para ele, este aspecto humano é fundamental. Lembra que o que ajudou a formar o jornal foi gente que vestiu a camisa da Folha e a veste até agora. Diz que é difícil citar todos. Mas no meu íntimo, tenho a todos guardados e partilho com eles a alegria de chegar aos 50 anos da nossa Folha.





