‘‘Para cada real que o governo aplicou no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, nos últimos anos, os empresários brasileiros aplicaram três’’, contabiliza o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho. ‘‘Tínhamos de correr contra o tempo, e dinheiro não compra tempo’’, diz, lembrando que era preciso, com urgência, modernizar a indústria nacional, numa alusão à abertura de mercado iniciada na gestão do ex-presidente Fernando Collor.
‘‘Ninguém desconhece que a economia brasileira era fechada e paternalista’’, lembra o presidente da Fiep. ‘‘E, na medida em que Collor escancarou a economia, obrigou os industriais brasileiros a se modernizarem’’. E o avanço foi grande, em sua opinião. Ao lado da possibilidade de importar equipamentos sem similar no Brasil para, rapidamente, modernizar o parque industrial, os empresários, segundo Carvalho, fizeram um grande esforço para o aprimoramento da qualidade.
Hoje, mais de 1.500 empresas brasileiras, dos diversos segmentos, detêm o ISO. Segundo Carvalho, que também preside o Conselho do Sebrae, o Paraná foi o primeiro a ter o ISO. ‘‘Temos hoje até o ISO 14.000, que é de meio ambiente. Temos um centro de excelência na área ambiental aqui. O nosso Senai trabalha nesta área nacionalmente’’. De acordo com ele, o empresário paranaense tem consciência que é preciso ter níveis de gestão. ‘‘Se você tiver uma boa gestão desde o chão de fábrica até a área administrativa superior, evidentemente vai conseguir qualidade e produtividade’’.
Carvalho prega há tempo a‘‘despaternalização’’ da economia brasileira. Ele afirma que é preciso que os próprios empresários cuidem de si. E deixem para o governo apenas aquilo que lhe é próprio: saúde, educação, segurança e obras de infra-estrutura.
Ressaltando a chamada ‘‘vocação agrícola’’ do Paraná - ‘‘aqui praticamos agricultura de Primeiro Mundo’’ -, Carvalho afirma que o esforço de industrialização do Estado, realizado nos últimos anos, veio na hora certa, numa exigência da cadeia produtiva. ‘‘De nada adianta produzir muita soja, para exportar ou para ser industrializada em outros Estados, porque será nesses Estados onde serão gerados os tributos e os empregos.’’

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