Abertura da ExpoLondrina vira ato pelo impeachment de Dilma
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sexta-feira, 08 de abril de 2016
Nelson Bortolin Reportagem Local 
Sem a presença de autoridades federais, a solenidade de abertura da 56ª ExpoLondrina transformou-se ontem à tarde num grande ato pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Deputados estaduais e federais, prefeitos, secretário de Estado. Todos foram enfáticos na defesa do afastamento da petista.
Representando o governador Beto Richa (PSDB), o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, deixou de lado o discurso técnico que costuma apresentar nessas ocasiões. "A presidenta da República não tem capacidade de liderar nada", afirmou. Para ele, se o impeachment sair agora, o Brasil estará criando condições para voltar a crescer em 2019.
Ortigara criticou as possibilidades de o País utilizar suas reservas de "quase 400 bilhões de dólares" ou criar tributos para exportação de produtos agrícolas como forma de resolver a crise econômica. Para ele, apesar dos "juros mais altos do mundo", o governo brasileiro não consegue controlar a inflação. Ao final do discurso, ele transmitiu um recado do governador: "Conclamamos todos para que usem sua liderança sem medo para resolver a crise política do Brasil."

O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), também posicionou-se abertamente pelo impeachment. Disse que a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade fiscal. E declarou: "Afastamento não é golpe." Ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Kireeff disse ser um "desaforo inaceitável" lideranças do Movimento Sem-Terra afirmarem que irão aumentar as invasões de terra caso a presidente seja afastada.
O prefeito, no entanto, disse que o momento atual é importante para o Brasil. "Tem gente que acha lamentável, mas estou comemorando", afirmou, emendando que é hora de o País decidir que caminho quer seguir: "se do trabalho ou de quem não quer trabalhar".
MST
Além de ressaltar a importância do agronegócio paranaense, o discurso do atual presidente da Rural, Moacir Sgarioni, foi marcado por críticas ao MST e ao governo petista. Ele se referiu a fraudes nos programas de transferência de renda do PT e fez uma comparação entre regiões do País. "O Norte e o Nordeste têm 36% da população com benefícios sociais e o Sul, apenas 12%." E perguntou à plateia: "Não seria melhor estimular o trabalho em vez da dependência?".
Para Sgarioni, os sem-terra não são preparados para assumir propriedades rurais e acabam "voltando a invadir". Segundo ele, o governo federal "exige tudo do agronegócio e pouco ou nada dos assentados". O presidente da SRP referiu-se também à operação Lava Jato e à "corrupção sistêmica" do País. E cobrou uma solução política rápida.
Além dos três, discursaram pedindo o impeachment o prefeito de Cambé, João Pavinato (PSDB), os deputados estaduais Tercílio Turini (PPS), Cobra Repórter (PSD), Tiago Amaral (PSB) e Pedro Lupion (DEM). E os federais Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Alex Canziani (PTB).


