Abelhas mudam de hábitos e de endereço
Insetos bastante sensíveis às alterações em ecossistemas, as abelhas estão fugindo do campo e se mudando, de favo e cuia, para as cidades. A razão principal é o uso intensivo de herbicidas e pesticidas nas lavouras, seu habitat original. O nome técnico desse fenômeno ``desordem do colapso das colônias´´.
Segundo a Instrutora de Apicultura do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Zeila Maria Gomes Manchini, trata-se de um processo natural de preservação da espécie, pois os agrotóxicos colocam em risco as colmeias e, daí, o jeito é juntar uma parte da colônia e procurar outro local para preservar a vida da rainha. O problema, no caso, é que no contato com o ser humano que habita as cidades, acabam ocorrendo muitos acidentes, picadas, dores e processos alérgicos.
"As abelhas enxameiam no nada, procuram uma nova habitação e na colmeia ficam apenas as larvas, as quais se alimentam exclusivamente de geleia real durante três dias", explica. ``Após duas semanas, elas realizam o voo nupcial, quando a princesa, se o tempo estiver bom, poderá ser fecundada por até 25 zangões e, daí, se transformar numa rainha."
Enquanto isso, o grupo que havia abandonado a colmeia levando a rainha original, procura um local que tenha boas condições para abrigá-la. Em geral, os beirais de madeira das residências são os escolhidos para instalar o novo enxame. Como as abelhas são fiéis e extremamente solidárias, se o humano mexer no enxame, pode ser atacado. "Nestes casos, elas ferroam mesmo", avisa Manchini.
Para os moradores das cidades, um grande problema é que não existe nenhum serviço público responsável pela remoção de enxames. "Até algum tempo atrás o Corpo de Bombeiros prestava este serviço, pois eles têm os equipamentos necessários, mas de uns tempos para cá, deixaram de prestar", informa. Neste caso, a Instrutora diz que o mais aconselhável é procurar um apicultor para remover o enxame.
A boa notícia, se é que pode se dizer assim, é que as abelhas atuais são menos agressivas, pois está em curso a reversão do processo de africanização dos insetos, fenômeno que teve seu apogeu, no Paraná, nos anos 1970 e 1980. Naquela época, não era incomum a notícia de mortes provocadas por picadas de abelhas.
Como explica a Instrutora do Senar, as abelhas africanas foram trazidas ao Brasil pelo pesquisador Warwick Kerr, em 1956, por serem consideradas mais ágeis. "Foi a geração mais agressiva das abelhas africanizadas", informa.
Foi por esse tempo que Zeila também foi picada por abelhas. "Fiquei um bom tempo longe delas", brinca. Hoje, além das aulas no Senar, a instrutora faz palestras em escolas onde aborda a complexa organização das colmeias e os impactos ambientais que vêm sofrendo nos últimos anos.





