As policiais militares Edyelen Santos e Virginia Lemos preparam as câmeras do telefone celular. Na foto, a recordação que elas vão levar para São Luis, no Maranhão, mostra a fachada de um dos pontos turísticos mais famosos de Curitiba, a Rua 24 Horas. ‘‘Sempre ouvi que é um lugar muito bonito, limpo, bem cuidado. E agora vim conferir pessoalmente’’, conta Edyelen.
  Mas a boa fama que chegou ao Norte brasileiro não vai resistir a uma caminhada pelos 120 metros de extensão do cartão postal curitibano. Primeiro elas precisam desviar de goteiras e poças d’água. Uma olhada para o chão e o primeiro comentário de Virginia. ‘‘A cidade parece estar mais limpa que aqui dentro’’. Mais alguns passos e um tapume, que isolava uma área que pegou fogo no dia 11 de novembro e ainda estava sem reformas, chama a atenção. Os olhares são de desaprovação. Mais à frente, o ‘‘destaque’’ é o abandono da fachada de uma loja desativada. Ao chegar ao final da Rua, a conclusão de Edyelen: ‘‘Olhando de fora, é uma linda estrutura, mas quando presto atenção nos detalhes, dá pra ver que está mal cuidada’’, comenta a maranhense.
  Inaugurado em setembro de 1991, o espaço logo ficou famoso em todo o país. Contava com 45 lojas e nasceu para ser uma opção de lazer durante as madrugadas. Mas o cenário 15 anos depois é desanimador. Só treze lojas continuam abertas, resistindo a um movimento cada vez mais fraco. E apenas cinco fazem jus ao nome ‘‘24 horas’’, afastando antigos freqüentadores, como a auxiliar administrativa Caroline Coelho. ‘‘Antes tinha música ao vivo toda noite, era legal para passear, jantar. Agora não tem mais atrativos’’, critica.
  Para o contador Nicanor Moraes Júnior, falta cuidado com o local. ‘‘Parece que aqui não tem dono. Fecharam vários restaurantes, o supermercado. Dá tristeza ver ônibus de turistas parando aqui e o pessoal se decepcionando’’, desabafa.
  O presidente da Associação dos Lojistas da Rua 24 Horas, Roberto Amaral, diz que faltou manutenção no local. Para ele, a solução agora seria uma reforma com pintura nova, melhorias na estrutura e a troca da cobertura. ‘‘Esse teto esquenta muito, muitos comerciantes reclamam, além de necessitar de lavagens periódicas’’, conta. De acordo com Amaral, foi realizada uma reunião com a prefeitura, que prometeu uma revitalização completa no local. ‘‘Espero que em 2007 a realidade da nossa Rua mude’’, aposta.
  Esta também é a torcida de Nicanor. ‘‘Um dia eu me perguntei por que continuo vindo aqui. Acho que é pelo amor ao lugar mesmo. Não podemos deixar essa beleza morrer’’. A lojista Jussara Andrade também aguarda mudanças na Rua. ‘‘Se aqui é um ponto turístico, eles precisam definir qual é a imagem que querem de Curitiba’’, resume.
  De acordo com a Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Curitiba, um projeto de revitalização da Rua 24 Horas já está em andamento, elaborado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e pela Urbanização de Curitiba (Urbs). A intenção é modernizar e melhorar a infra-estrutura do local.
  A recolocação de catracas para a cobrança da utilização dos banheiros, reivindicada pelos lojistas, deve ser atendida. O prefeito Beto Richa (PSDB) deve analisar o projeto até o final do ano e o anúncio oficial deve ser feito em janeiro. As obras estão previstas para o primeiro semestre de 2007 e serão viabilizadas a partir de parceria público-privadas.

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