O ano de 2006 ficará marcado na história da Sociedade União Juventus como o ano em que o clube ''escapou dos lobos''. Após um período conturbado, quando a diretoria da entidade se viu forçada a encerrar as atividades do clube por falta de dinheiro, uma reviravolta administrativa deu novo alento a essa que é uma das agremiações mais tradicionais do Paraná.
Em meados da década de 1990, o clube acompanhava impotente uma sangria em seus cofres. Falta de pagamentos dos sócios, dívidas acumuladas, processos na Justiça do Trabalho e a falta de crédito na praça apontavam para um futuro sombrio. ''Quando assumi a presidência, em 2003, havia só oito pagantes e uma dívida de R$ 15 milhões'', lembra o presidente do clube, Marian Kurzac. ''O pior é que nessas horas aparecem muitos lobos'', completa o dirigente de forma simbólica.
Esse cenário se agravou em 2006, quando a Prefeitura de Curitiba reivindicou a passagem da Rua Desembargador Costa Carvalho pelo meio da sede esportiva da entidade, localizada no bairro Batel, como forma de facilitar o trânsito entre os bairros Bigorrilho e Água Verde. ''Estavamos lutando para vender a sede quando descobrimos que passava a rua no meio'', conta Kurzac.
Diante desse novo quadro, uma construtora que negociava uma permuta com o terreno da entidade decidiu abandonar o negócio. A intenção da diretoria era trocar metade do terreno no Batel - que a rua dividiu ao meio - por outro maior em um bairro mais afastado. Com isso seriam saldadas as dívidas e a entidade teria chance de um novo começo. Mas o destino ainda reservava outra surpresa para o Juventus.
No dia 5 de maio de 2006, um incêndio na sede esportiva destruiu o que restava do patrimônio do clube. Sem saída, a diretoria decidiu então trocar as duas partes do terreno no Batel, que somavam 29 mil metros quadrados, por um terreno no bairro Mossunguê.
A pedra fundamental da nova sede foi lançada no dia 17 de dezembro de 2006 e marcou uma nova etapa na história da Sociedade União Juventus. ''Os sócios antigos estão admirados, não imaginavam que conseguiríamos virar essa página'', conta o presidente da entidade. Atualmente as obras correm a todo vapor. Foram contratadas cinco empresas, que trabalham ao mesmo tempo para concluir a estrutrura do clube em junho desse ano.
A nova sede possui 52 mil metros quadrados, quase o dobro da antiga. Entre as diferenças está um bosque, um lago, piscina aquecida, academia de ginástica, sala de jogos, boliche e uma pista de cooper, estruturas que não havia na velha sede do Batel.
As perspectivas para o futuro do clube já estão atraindo novos sócios. ''Só no mês passado, foram uns 70'', garante Kurzac. Assim que as obras estiverem concluídas, será iniciado um trabalho de mídia para atrair ainda mais sócios, coisa nunca antes feita no clube. O presidente da entidade aposta na adesão dos moradores das proximidades. ''Vamos chegar a três mil sócios em julho'', anima-se.

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