A volta da rádio rock
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quinta-feira, 10 de julho de 1997
Fabiano Camargo 
Albari RosaA equipe da rádio 96 Rock pretende agitar a cidade. A programação terá rock e abrirá espaço para a cultura localO rock está voltando à ativa no reino das FMs, para alegria de uma legião de ouvintes que, desde o fim das rádios Estação Primeira, em 95, e Alternativa, ano passado, ficaram sem opção no dial. No ar desde o último sábado, a 96 Rock traz até no nome o estilo ao qual se dedica.
O rótulo de rádio rock não é capaz de explicar completamente a proposta da nova emissora. Ela não será simplesmente uma rádio que toca rock. Vamos buscar uma integração com a movimentação cultural da cidade, fazendo da FM um canal de comunicação que abrangerá todas as idéias interessantes que estejam surgindo, diz Hélio Pimentel Filho, supervisor de marketing e programação da 96 Rock.
Fundador da saudosa Estação Primeira, Pimentel conta que a idéia é fazer uma rádio que forme opinião, como a velha Estação fazia. Estaremos tocando muita coisa nova: de bandas alternativas da cidade e do Brasil até grupos que estão despontando lá fora. Estes lançamentos terão programas específicos (leia abaixo) e também entrarão na programação normal.
Contrastando com o reinado da dance music, da axé music e do gênero funk-romântico que impera nas FMs convencionais, a 96 Rock abrirá espaço para bandas que dificilmente entrariam no ar. Alguns exemplos de grupos que já estão aparecendo: Prodigy, Fear Factory, Skunk Anansie, Garbage, Lard e Kula Shaker. Nomes muito desconhecidos? Queremos integrar a cidade com o que está rolando na vanguarda do rock em todo o mundo, responde Pimentel.
Albari RosaFim do silêncio: as bandas de rock da cidade, como os Magnéticoss (que já têm CD lançado) estão comemorando a chegada da 96
O surgimento de uma rádio aberta para as novidades, incluindo aí as bandas locais, foi recebido com festa entre os músicos que integram a cena da cidade. As coisas estavam sem rumo desde o fim das rádios Estação Primeira e Alternativa, diz J.R. Ferreira, vocalista e baixista da banda Magnéticoss, que sofreu na pele a falta de um canal de divulgação para o rock e a nova música em geral. A divulgação do nosso disco, lançado no início do ano, sofreu muito. As rádios locais praticamente não abrem espaço. E se nossa música não toca nem na nossa cidade, vai tocar aonde então?.
Para J.R., que também é produtor de festivais de rock, toda uma geração de grupos foi prejudicada. Sem uma rádio rock aberta, as bandas não tem como chegar ao público. A divulgação dos shows também se complica.
A direção da rádio está apostando que o rock é um bom negócio e promete vida longa ao empreendimento. Este segmento estava desatendido na cidade, tanto do ponto de vista dos ouvintes que gosta de rock como das empresas que precisam anunciar para este público.
Já as rádios com proposta popular são muito similares, o que torna a concorrência mais complicada, diz Nilson Rosa, um dos diretores da emissora. Outro diferencial é que nossa programação será 100% feita em Curitiba e para Curitiba, fugindo dos padrões das rádios por satélite, que falam da cidade superficialmente, completa Carlos Alberto Gomes, outro diretor da emissora.
Os últimos dados do Ibope indicam que a maioria das pessoas está preferindo desligar o rádio: a porcentagem de pessoas que não ouve FM hoje é maior do que a audiência de qualquer emissora. Esse exército de desplugados é o alvo que a 96 pretende conquistar.


