Na área de 11 mil metros quadrados, os 300 expositores trazem informações e atividades interativas que aproximam os visitantes da vida no campo
Na área de 11 mil metros quadrados, os 300 expositores trazem informações e atividades interativas que aproximam os visitantes da vida no campo | Foto: Marcos Zanutto



Parada obrigatória para os visitantes da ExpoLondrina, a Via Rural/Fazendinha deve receber, até domingo (15), cerca de 200 mil pessoas. E as atrações do espaço prometem agradar não só os produtores rurais, mas o público em geral, de crianças a idosos. Na área de 11 mil metros quadrados, os 300 expositores trazem informações e atividades interativas que aproximam os visitantes da vida no campo.

O espaço é um projeto do governo do Estado, via Seab (Secretaria da Agricultura e do Abastecimento) e Instituto Emater. O gerente regional da Emater, Sérgio Carneiro, explica que o trabalho consiste em levar informação e inovação tecnológica aos produtores, dinamizar a economia, reduzir o impacto ambiental e trazer a roça para a cidade. O turismo rural e as oficinas gastronômicas estão entre os destaques da edição deste ano.

Carneiro comemora a participação do público nos eventos oferecidos pela Via Rural. "Estimamos entre 4 e 5 mil participantes nas oficinas, eventos técnicos e excursões", calcula. Entre os expositores, ele aponta como exemplos a unidade de hortaliças, que mostra aos visitantes como cultivar uma produção em casa ou apartamento; a agricultura orgânica; a seda ligada ao design.

Neste sábado (14), às 16 horas, na unidade Seda Brasil, haverá um desfile de moda. "A moda movimenta valores astronômicos e a seda é o tecido mais nobre. Estamos despertando para que esse negócio seja alavancado, para aumentar a nossa produção, já que a seda brasileira é considerada a melhor do mundo", argumenta. Na avaliação de Carneiro, mais uma vez, a organização cumpriu com o papel de contribuir com o desenvolvimento rural.

MAQUETE AMBIENTAL
Em 2018, o tema da Fazendinha é "Agricultura Sustentável, Transformação, Comercialização e Cultura". A maquete ambiental traz simuladores de chuva para mostrar aos produtores rurais o quanto eles perdem de água devido ao escoamento superficial.

Às 15 horas deste sábado (14), será realizada no local a oficina "Estratégias de armazenar água no solo", que tem o objetivo de apresentar aos agricultores como a palhada influencia na infiltração do solo. O engenheiro agrônomo da Embrapa, Esmael Lopes dos Santos, diz que a maquete traz exemplos de semeadura na palhada e direto no solo, tanto em nível como em desnível.

Segundo Santos, é impressionante a diferença da cor e da quantidade de sedimentos que a água arrasta em solo com pouca palha e em desnível. "Perde-se até 80% da água", calcula. Já a semeadura na palhada no solo em desnível perde 20% de água, e em nível apenas 10%. Neste último exemplo, Santos esclarece que a semeadura gera rugosidade diminuindo o escoamento superficial e facilitando a infiltração de água.

O engenheiro agrônomo afirma que a intenção é conscientizar para que o produtor faça o plantio com manejo conservacionista, que prioriza o cultivo mínimo, planta viva e morta no ambiente, diversificação e rotação de culturas aliada a um sistema de terraceamento bem dimensionado e semeadura em nível. "Seguindo isso, o sucesso está garantido", enfatiza.

Persida Pereira Gomes visitou a Fazendinha na companhia da família e ficou impressionada com os tomates orgânicos. "Achei tudo lindo. Quando eu vim aqui pela última vez, minha filha tinha dois meses, e hoje ela está com 48 anos", conta. Para ela, está tudo diferente. "Parece que virou uma cidade", compara.

FORMIGAS CORTADEIRAS
Entre as unidades didáticas na Fazendinha este ano está a de formigas cortadeiras. Lá, os visitantes encontram informações sobre como fazer o controle desses insetos, que comem as folhas das plantas. O mais recomendado é usar a isca, porém ela não pode ser colocada diretamente no formigueiro, e sim no carreador que as formigas fazem. Isso porque o objetivo é matar o fungo, do qual elas se alimentam.

As folhas que as formigas cortam e carregam alimentam o fungo, que fica dentro do formigueiro. Depois de passar pelo estande, a londrinense Cristiane Manfrin entendeu como funciona o comportamento das cortadeiras e levou dicas de como afastá-las de suas plantas em casa. "Tenho pé de mamão, pé de limão, manjericão, elas comeram tudo. Eu não sabia que elas alimentavam o fungo", comenta.

Paulo Kobo trouxe para a trilha um portal japonês: "Só de passar embaixo dele você já recebeu muitas graças de Deus"
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TURISMO RURAL
Quem passar pela trilha ecológica vai poder conhecer algumas atrações do turismo rural oferecidas na região de Londrina. Lauro Shoiti Tanno, do Sítio Kobo, de Assaí, trouxe para a feira amostras de jogos japoneses, como o minigolf, gate-ball, bola no balaio, ping-pong japonês, estilingue gigante. Segundo Tanno, os jogos exigem estratégia, trabalho em equipe e ajudam a aliviar o estresse e aumentar a autoestima, especialmente entre os idosos.

O Sítio Kobo é uma das atrações da rota Sonho Lindo Circuito Nipo Brasileiro. O roteiro inclui escola de dança, igreja budista, e visita a propriedades rurais de Assaí, com direito a café da manhã, almoço e café da tarde. As excursões saem de Londrina uma vez por mês. "O turismo rural é importante para gerar renda", afirma. Mas o grande destaque do estande é o agricultor Paulo Kobo, de 85 anos, proprietário do sítio, que esbanja saúde e simpatia.

Foi ele quem enxergou no turismo rural uma oportunidade de negócio e hoje recebe visitantes na propriedade. No Sítio Kobo, cultiva uma variedade de alimentos, entre eles o arroz moti, famoso na culinária japonesa. Na feira, ele distribui aos visitantes sementes de purunga e os desafia a plantá-las e, em 2019, trazer o fruto para a ExpoLondrina. Ele trouxe, também, para a trilha um portal. "Só de passar embaixo dele você já recebeu muitas graças de Deus", garante.

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