O que leva alguém a ser voluntário - caso de todos os submarinistas - para passar anos servindo num submarino? Comecei a tropeçar na resposta poucos minutos depois de entrar no submersível. Ao subir no passadiço, o comandante, capitão-de-fragata, Gilberto Carlos Salles dos Santos, abre um sorriso e mostra o orgulho de ser submarinista. ''Brincamos com nossos companheiros que guarnecem navios de superfície que só existem dois tipos de navios: os submarinos e os alvos. Escolhi o submarino justamente pela forma dele operar, é um caçador. Navega de forma oculta, tem iniciativa das ações, explora o ambiente marinho em sua plenitude.''
Falta espaço. Começando pela entrada, uma escotilha de 90 centímetros de diâmetro. Algumas horas já são suficientes para se incomodar com o aperto, imagine passar dias, até meses sem ver a luz do sol. ''Para mim, o submarino é aconchegante'', dispara o comandante Salles dos Santos.
Mas não é só a falta de espaço que impressiona, o silêncio é inacreditável, impossível dizer que os motores estão ligados. Não há vibração e nem barulho, características fundamentais para não ser detectado e destruído.
São 42 homens, dois banheiros pequenos. Só tem direito a camarotes exclusivos o comandante e seu imediato. O restante da tripulação dorme em pequenos beliches, no entanto confortáveis. Os ''dormitórios'' estão no setor de torpedos. Se necessário utilizar o armamento toda a estrutura é retrátil. Não é só o sono que é vigiado pelos torpedos, as refeições dos praças e as horas de lazer são passadas nesse recinto ''explosivo''.
Já na cozinha é preciso ter muita habilidade para suprir a falta de espaço. Quando chega a hora do almoço, uma grata surpresa: um saboroso estrogonofe de carne, arroz, batata frita e salada.
O clima entre os tripulantes é de amizade. O ambiente é de descontração. Com 31 anos de Marinha o suboficial Cleber Silveira Iale já serviu em cinco submarinos e atingiu a marca de mais de 8,5 mil horas de submersão. ''Depois de um tempo, acabamos gostando do ambiente, pois somos nós que o fazemos. Somos poucos submarinistas, mas somos felizes. Gostaria de poder ficar mais alguns anos para pegar a classe nuclear, mas infelizmente meu tempo já está acabando'', lamenta.
Tubarão Branco
Enfrentando o mar por 21 anos, o submarino Tupi já navegou mais de 350 mil quilômetros, distância suficiente para completar quase nove voltas no planeta na linha do equador. No entanto ''mergulhar'' é sua principal vocação, já rompeu a barreira das 25 mil horas submerso.
Também chamado de Tubarão Branco, é o mais velho dos submarinos em operação na Marinha e o único que não foi construído no Brasil, foi produzido no estaleiro HDW, em Keil na Alemanha, e fez parte do programa de aquisição da década de 1980. (S.R.)

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