Isabel é arquiteta, cansou-se da falta de oportunidade no mercado de trabalho e agora pensa em abrir um negócio próprio em outra área. Sua amiga, Helena, também arquiteta, recusa-se a desistir do sonho na profissão e está decidida a enfrentar as barreiras em busca de uma posição melhor na carreira. Flávio é bem-sucedido, mas não tem tempo para usufruir do dinheiro que ganha. Os três ilustram a situação de muitos jovens que se formaram há pouco tempo e às vezes têm a mesma dúvida de outros que sequer entraram na faculdade ou de quem está bem perto da graduação: ''será que fiz a escolha certa?''
Isabel Tornesi, de 26 anos, formou-se pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná há quatro anos. Trabalhou em construtoras e empresas e no ano passado abriu um negócio próprio. ''Só que não fui muito feliz, porque tive pouco serviço. Você tem custos, gastos, e na verdade o retorno não foi suficiente, não dava mesmo. E agora trabalho por conta, pego alguns projetos'', relata.
''Demora um pouco para fazer o nome'', completa a amiga Helena Moura, 27, que cursou arquitetura na PUC, junto com Isabel. Helena tem um escritório com a irmã e também reclama do mercado de trabalho. ''Tem sido difícil, a pessoa não conhece seu trabalho e até você fazer um nome... É como um advogado, o pessoal não contrata se não tiver uma indicação'', exemplifica.
Apesar de ainda manter o sonho de levar a profissão adiante, as dificuldades e a nova fase da vida levaram Isabel a procurar um novo emprego. ''Quando a gente estava na faculdade e fazia estágio, ganhava R$ 400 por mês e pra época estava ótimo. Você se forma e ganha mil e poucos reais por mês, também está ótimo. Agora a gente não quer mais isso'', explica. ''Arquitetura não quero largar nunca, posso trabalhar em casa e tenho esse espaço. A vontade de abrir um outro negócio é para ter fluxo de caixa, dinheiro entrando direto. Mas é claro que não pretendo fazer tudo ''na louca'' e não sei se vou abrir sozinha'', adianta a arquiteta.
Ambas concordam que faltam acompanhamento e orientação nessa trajetória de aluno a profissional, tanto dos pais, das instituições de ensino e também dos responsáveis no mercado de trabalho. ''Nunca me iludi que ia ser fácil mas a gente entra na faculdade muito nova. Só que quando você entra na faculdade você não tem muita noção de retorno financeiro e essas coisas. Até porque a própria faculdade não dá esse embasamento. Você começa a cair na realidade quando faz estágio, quando já está no terceiro ou quarto ano e gosta do seu sonho, quer fazer acontecer'', lembra Isabel.
Trabalho sem descanso - A situação de Flávio Roberto Schappo, 26, é um pouco diferente mas também revela problemas que levam muitos recém-formados a procurar outras áreas, concursos, alternativas para conciliar um salário satisfatório com qualidade de vida. Formado há três anos em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), ele não tem muito do que reclamar.
''A empresa é boa e o ambiente de trabalho também, paga bem e tenho alguns benefícios'', destaca. A única ressalva: ''O problema é que a empresa acaba sacrificando um poucos os funcionários para se tornar competitiva. Demite e por isso os outros que ficaram são sobrecarregados'', explica.
Por essa razão, Schappo trabalha em média dez horas por dia e já chegou a ficar 48 horas direto sem dormir. ''Um colega meu, que estava nessa situação, dormiu no volante depois que saiu do trabalho e bateu o carro.''
Veio então a oportunidade de abrir um negócio próprio, em Joinville (SC), justamente para evitar que o próprio trabalho comprometa sua saúde. ''Estou elaborando um projeto de empreendimento na área de restaurantes em Joinville. Para a abrir algo próprio em engenharia, demoraria para captar recursos'', justifica.
A incursão por outra área causa receio, no entanto, Schappo vem se preparando e também acha que o momento é propício para mudanças. ''O pessoal que tem essa minha faixa etária procura ousar enquanto ainda pode, quando ainda não tem dependentes.''

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