A escola mais antiga em atividade de Curitiba, a Embaixadores da Alegria comemora, em 2008, 60 anos e vai para avenida desfilar o enredo ''Jubileu de Diamante''. A Embaixadores, que já foi o Bloco Cevadinhas do Amor, nasceu, em 1948, dentro da Sociedade Thalia. No barracão da escola, em Santa Quitéria, as fantasias estavam praticamente prontas, há uma semana, apesar do atraso no repasse do dinheiro. ''Teve dias que mais de 60 pessoas estavam trabalhando aqui, fizemos um mutirão. Todo mundo que ajuda é voluntário. Foi uma correria, mas sempre vale à pena, a escola está linda'', comemora a profesora Mara Rúbia Franco, 58 anos, da diretoria da Embaixadores.
A escola é dona de três títulos estaduais e nove municipais. Mais de 500 pessoas vão desfilar na Embaixadores, que terá 12 alas, três casais de mestre-sala e porta-bandeira e uma bateria com 70 integrantes. ''As escolas do Grupo A recebem um pouco mais de R$ 21 mil. Ainda levantamos mais alguma verba junto aos membros da escola, vendendo camisas. No nosso carnaval ninguém paga fantasia, recebe prontinha é só desfilar no dia'', informa Mara. ''Carnaval é cultura e aqui é basicamente uma festa da periferia que é quem vai assistir na avenida. Veja que é uma oportunidade única dos mais pobres dividirem o mesmo espaço com os mais ricos. Na avenida todo mundo é igual'', pontua ela.
Durante os preparativos e festejos de carnaval, o carrinheiro Wilson Garcia, 44, esquece o trabalho para ser o guardião das fantasias e carros alegóricos no barracão. Ele conta os dias para o desfile na avenida. ''Gosto muito do carnaval. Desfilo, canto e tenho o samba no pé'', diz orgulhoso. A reportagem da Folha conferiu o Baile Vermelho e Branco, na sexta-feira passada, para os membros que se envolveram na produção. O baile aconteceu na sede de um CTG de Santa Quitéria, porque a Embaixadores não possui uma quadra. Todas as alas estavam representadas: as passistas, comissão de frente, destaques, as baianas, a bateria. Quando começou a batucada, não faltou quem mostrasse o samba no pé.
''Fica claro para mim que o poder público não tem interesse nessa festa popular. O investimento é mínimo, o que fazemos com a verba que eles repassam é um milagre. Só com muito esforço e dedicação, reaproveitando materiais antigos. Tentamos fazer uma festa bonita aos olhos dentro desse contexto'', critica o engenheiro mecânico Roberto Neumann, 43 anos, que é o tesoureiro da Embaixadores, toca na bateria e ajudou a preparar os carros alegóricos. ''Trabalho na Renault e convidei alguns amigos para assistirem ao desfile, em 2007. Muitos ficaram surpresos por existir carnaval em Curitiba. Gostaram e vão levar outras pessoas neste ano. O nosso carnaval é simples, alegre e bonito'', resume Neumann. (F.G.)

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