Escolhido por consenso entre os curadores da 4ªVentoSul – Mostra Latino-Americana de Artes Visuais, o tema ‘‘Narrativas Contemporâneas’’ exigiu dos artistas plásticos soluções estéticas na abordagem do cenário das cidades e da própria arte. A exposição bienal está em cartaz, em quatro espaços de Curitiba, desde o mês passado, e apresenta obras de 37 profissionais de sete países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Paraguai. Não se trata de uma coletiva, mas de várias mostras individuais que promovem o intercâmbio de artistas da América Latina.
  Dentre as obras bidimensionais e tridimensionais, como instalações, vídeos, objetos e fotografias, 30% é de autoria estrangeira. ‘‘Todos os artistas convidados trabalharam as figuras das narrativas contemporâneas, pensando
em um conceito, relato ou questão, baseando-se em argumentos especificamente visuais. O motivo narrado pode referir-se a qualquer âmbito,
seja histórico, político, antropológico ou relativo à institucionalidade da Arte’’,
define Luiz Ernesto Meyer Perreira, membro da comissão organizadora da mostra e
diretor-executivo do Instituto Paranaense de Arte.
  O Instituto é quem realiza a exposição em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Secretaria de Estado e Cultura e Fundação Cultural de Curitiba. Todas as edições anteriores da VentoSul passaram pela cidade, só que neste ano, a mostra está maior e ganhou mais espaços de exibição, como a Praça Osório, onde foi instalado o Olho D‘água da artista plástica mineira Márcia Xavier. A instalação de três metros de altura e três de diâmetro é feita de metal, plástico e 300 litros de água e sugere que as pessoas passem por baixo dela e vejam a cidade através da lente, o que dará uma sensação de vertigem ao ampliar os elementos urbanos. Fica na praça até o
dia 29.
  A organização da mostra calcula que cerca de 200 mil pessoas já visitaram algum espaço da VentoSul, em
Curitiba. ‘‘Participam artistas consagrados, como o colombiano Alberto Baraya, e outros em fase emergente de produção, mas com a mesma excelência. Essa mescla foi proposital’’, informa Pereira, dizendo que os artistas foram praticamente ‘‘garimpados’’, durante um pouco mais de um ano. ‘‘Em cada país, um crítico de arte contratado pela organização fez uma relação
dos artistas e enviou esse material para os curadores que foram aos países conhecer os artistas e ateliês para fazer a seleção’’, conta.
  Os curadores da 4ª VentoSul são Fábio Magalhães, ex-curador-chefe do Museu da Artes de São Paulo e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Fernando Cocchiarale, curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Ticio Escobar, curador da Bienal de Valencia, na Espanha.
A exposição, que é itinerante e realiza mesas redondas e palestras dos artistas, vai passar ainda por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Florianópolis. Também é negociada a ida da VentoSul para o Museu de Arte de Londrina e Ecomuseu de Itaipu. A mostra é patrocinada pela Petrobras, Eletrobras e Itaipu Binacional.

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