Tomi Nakagawa, a mulher-símbolo dos 90 anos da imigração japonesa no Brasil, mostrou no último final de semana que tem muita força para vencer as indisposições provocadas pelas doenças da idade: 92 anos. Segundo a filha Kiyomi Suzuki, no sábado, dia 13, praticamente uma semana antes das comemorações do Imin 90, ela havia se recuperado de problemas na coluna e outros sintomas, como se estivesse se preparando para os festejos, neste final de semana.
Dona Tomi nasceu no dia 15 de outubro de 1906 e, menos de dois anos depois, era uma das passageiras do navio Kasato Maru, que deixou Kobe, no Japão, e atracou no Porto de Santos no dia 18 de junho de 1908 trazendo 781 japoneses que vieram trabalhar no Brasil.
Última sobrevivente daquela viagem que marcou o início da imigração japonesa, Dona Tomi, que mora em Londrina na casa de uma das filhas, conhece a história da travessia do mar através dos pais, Mitsuji e Kiyo Nishimura. Ela ainda era um bebê de colo e além do balanço do navio nas ondas, também chegou a ser aninhada nos braços de outra mulher que virou símbolo da imigração, dona Massayo Ussui, de Bandeirantes (Norte), que faleceu em 1994 (leia nesta página).
Uma das histórias que Dona Tomi ouviu é o da morte de um dos passageiros durante a viagem. Seu corpo foi jogado no mar. ‘‘Meu pai e minha mãe contavam que cada um agitava uma bandeira do Japão’’, relata, referindo-se à chegada do Kasato Maru ao Porto de Santos.
Mitsuji, Kiyo e as três filhas desceram e foram encaminhadas para a Diretoria de Imigração. E, de lá, para uma das seis fazendas destinadas a recolher os primeiros imigrantes japoneses, na região da Mogiana. ‘‘Meu pai ficou devendo, apesar de trabalhar de escuro a escuro’’, afirma.
Segundo Dona Tomi, as mulheres da comunidade japonesa se juntavam para chorar de saudade do Japão. ‘‘O Brasil era muito triste. Era só trabalhar, trabalhar. Lá no Japão trabalhava-se menos e a comida era boa. Aqui nem arroz tinha na fazenda, era preciso comprar na cidade’’.
Tomi Nakagawa casou-se com 20 anos de idade e teve a primeira filha quando tinha 21. O marido, Massagi Nakagawa, foi escolhido pelo pai. Ela foi duas vezes ao Japão. A passeio, pois revela que jamais pensou em morar lá.Milton DóriaTestemunhaDona Tomi, representante da imigração. No detalhe, reprodução de foto do navio Kasato Maru, que a transportou com a famíliaWalter Ogama

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