'A UEL está pronta para os ingressantes'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Quando o assunto é vestibular, os números da Universidade Estadual de Londrina (UEL) sempre impressionam. Realizado desde 1971, o concurso já aconteceu 63 vezes. Na última edição, cuja lista de aprovados você confere na FOLHA de hoje, atraiu mais de 25 mil inscritos, que concorreram a 3.050 vagas para 42 cursos.
Eleito em 2006, o professor de carreira do curso de Medicina Veterinária, Wilmar Sachetin Marçal, é o reitor encarregado de comandar a UEL até 2010. Na entrevista a seguir, ele avalia o vestibular feito pela universidade, avisa que haverá punição para quem promover trotes e dá um diagnóstico aos ingressantes sobre os problemas e virtudes do local onde estudarão.
TROTE
Qual avaliação o senhor faz deste vestibular e o que espera da comemoração dos aprovados?
O vestibular é uma das ações que levamos com mais afinco e determinação. Concentramos muitos esforços, pois é um concurso público e primamos para que não haja nenhum problema, para que tudo aconteça com lisura e transparência. O último vestibular foi tranquilo. Tivemos apenas algumas reclamações pontuais. Esperamos que os 3.050 aprovados possam comemorar de modo muito civilizado. O trote está proibido.
Todos os anos ouvimos falar que o trote está proibido e a história dos 'pedágios' nos semáforos se repete. Desta vez vai ser diferente?
Se depender da UEL, sim. Existem normas aqui dentro. É bom destacar que se alunos nossos forem flagrados promovendo trotes, os processos serão abertos como aconteceu no ano passado. Atualmente, alguns estudantes estão respondendo por causa de trotes, realizados dentro do campus ou não. No entanto, é preciso destacar que outras faculdades também estão publicando seus resultados de vestibulares nesta semana. É bom que as pessoas saibam que nem todos os que vão para semáforos são da UEL. Pedimos a quem flagrar esse tipo de situação que nos avise por meio da nossa ouvidoria. Peço também, por meio da FOLHA, que as pessoas não dêem dinheiro, pois esse dinheiro será utilizado para eles tomarem álcool. Não podemos pagar o preço de um acidente. Antigamente, passavam graxa de sapateiro nos aprovados. Imagine se isso dá uma reação alérgica, um choque anafilático e provoca uma morte?
VESTIBULAR
Alguma mudança para o próximo vestibular?
Por enquanto, não. Agora estamos fazendo a nossa auto-avaliação e a estatística de evolução dos aprovados. Se detectarmos a necessidade de alguma alteração, faremos. Mas, a priori, estamos satisfeitos com o modelo de vestibular que temos.
Existe alguma possibilidade de a UEL voltar a fazer dois vestibulares por ano?
Não. Para que voltássemos a fazer dois vestibulares por ano, teríamos que ter uma concentração maior de assessores e professores, um conjunto maior de funcionários e uma logística toda apropriada para isso. Não é possível. Estamos na iminência de ter uma reforma administrativa, que vai cortar cargos e funções por aqui. Esse corte prejudicará a Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), que seria um órgão a ser extinto, o que me causaria uma grande dificuldade para fazer o vestibular. Temos 183 cargos e funções que o Governos do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Seti), quer cortar. Se esse plano se efetivar, os assessores da Cops serão dispensados e essa Coordenadoria vai deixar de existir. Precisaremos fazer uma readequação interna para elaborar o vestibular. Estou apelando à secretária Lygia Pupatto para que reveja essa questão.
REFORMA ADMINISTRATIVA
Quantos assessores o senhor irá perder com a reforma administrativa?
Hoje tenho 71 assessores e a proposta da Seti é que fiquem apenas cinco. Os assessores são necessários porque o Governo não repõe os funcionários que saem. O reitor, para não deixar a máquina parar, tem a prerrogativa de contratar assessores.
CAMPUS
Como é a UEL que os calouros vão encontrar?
Encontrarão uma UEL bem cuidada, sem dengue, que serve uma refeição que é das melhores do Brasil, com novos computadores na biblioteca, sinalizada de forma prática e bem iluminada, pois fizemos a reposição das lâmpadas e podas das árvores. Além disso, o ingressante encontrará uma UEL onde ele tem condições de executar um bom curso com professores gabaritados e qualificados. Só depende do aluno. A universidade informa, quem se forma é o aluno.
PROFESSORES
E o problema da falta de professores?
Ele ainda existe em alguns setores. Estamos repondo, devagar, com professores temporários. Precisamos que o aluno entenda que a nomeação de professores não depende do reitor, mas do governador. Creio que, para o próximo semestre, não teremos falta de professores.
CASA DO ESTUDANTE
E a Casa do Estudante?
A Casa do Estudante foi entregue dois dias antes de eu assumir a universidade, em 8 de junho de 2006. Ao fazermos uma vistoria lá, detectamos diversos problemas que inviabilizam a moradia, tais como a falta de piso anti-derrapante, de corrimões, de estrutura para cadeirantes, de esquadrias. Além disso tudo, chove dentro da casa. Por isso, mantemos a Casa do Estudante no centro da cidade até que aconteçam as reformas necessárias. Assim que tudo estiver concluído, vamos ocupar a casa do campus gradativamente. Ela oferece 80 vagas. Não podemos ir além disso. Precisaremos abrir um novo processo de licitação e, no segundo semestre de 2008, queremos ter a Casa do Estudante da UEL habitada.
Qual é o maior problema da UEL atualmente?
É fazer o reajuste salarial dos docentes. A UEL já realizou o Plano de Cargos para os funcionários. Porém, os docentes ainda estão esperando o reajuste. O governo prometeu enviar uma proposta, proporcionar um abono, fazer um estudo, mas nada disso aconteceu. Continuamos esperando. O que acontece é que Londrina tem seis universidades privadas, que estão expandindo seus cursos. Se uma delas oferece uma proposta salarial para um professor da UEL, que demora 15 anos para se tornar doutor, ela leva o professor por uma questão salarial.


