A turma de 57 volta a se reunir
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
André Amorim<br>Equipe da Folha 
A trajetória da vida é pontuada por pessoas que entram em nossa história, deixam sua marca e muitas vezes saem de cena. Na maior parte das vezes, quando não resta muito do passado no substrato da memória, são essas marcas deixadas que servem como âncora das recordações mais preciosas que temos. Quando essas marcas não são mais suficientes, é porque chegou o momento de rever essas pessoas. É hora de um reencontro.
Foi o que fizeram os formandos da turma de 1957 do curso de Agronomia e Veterinária (na época conjugados) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Na última terça-feira, dia 18 de dezembro, nove ex-colegas compareceram a uma solenidade no Campus I do setor de Ciências Agrárias da Universidade para as celebrações do Jubileu de Ouro da turma, alusivas aos 50 anos de formatura. Entre os amigos todos na faixa dos 70 anos o clima era de intensa camaradagem e alegria, como se ainda fossem estudantes trocando experiências sobre a juventude.
Já fiz um gol de barriga ali, rememora Carlos Nogueira, um dos engenheiros agrônomos do encontro, diante do campo de futebol do campus. Seu comentário dá início a uma reação em cadeia. Lembra que a gente amarrava os calouros na trave?, acrescenta o colega Antônio Brandão. Até eu fazia gol nesse campo, completa Orlando Schinalesky. Ao que parece as recordações emergem mais facilmente
em grupo.
Mas dá trabalho reunir colegas de tanto tempo. Segundo Clodomir Buchi, de 74 anos, um dos organizadores do evento, muitos dos ex-companheiros não moram mais na mesma cidade, outros trocaram de profissão, muitos perderam o contato e outros tantos já faleceram. É preciso muito empenho, minha filha usou até o orkut para encontrá-los, afirma. Na época da formatura, 29 agrônomos e 3 veterinários concluíram o curso. Destes, apenas nove confirmaram presença no evento, três deles vindo de outras cidades, Irati, Ponta Grossa e Campinas (SP).
O reencontro contou com o apoio do departamento de Ciências Agrárias da UFPR. Foi realizada uma solenidade com celebração de um culto ecumênico no anfiteatro do setor de Ciências Agrárias da universidade e mais tarde foi realizado um jantar. Os familiares dos ex-formandos marcaram presença, atestando a importância do evento. Algumas pessoas de fora trouxeram mais de dez parentes, comenta Buchi.
O orador na ocasião do Jubileu de Ouro foi Carlos Nogueira, o mesmo da formatura de 50 anos atrás. É inenarrável contemplar toda a época que você estudou, o frio de Curitiba, as madrugadas, os momentos difíceis, alegres. Acho que o estatuto do idoso não devia permitir esse tipo de emoção, diverte-se.
Enquanto aguardava os últimos preparativos da solenidade, Clodemir Buchi contemplava com orgulho o destino que compartilhou
com os companheiros.
É uma alegria ver que a
maioria da turma se saiu bem, professores, profissionais de sucesso, emociona-se. Outros encontros houveram aos 5, 25
e 40 anos de formados e, se depender de Buchi, este
não será o último.


