A tradição reinventada
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
A receita é clássica e foi servida para o papa Leão XVIII, na França. Mas mais tradicional ainda é um equívoco atribuído aos cozinheiros na época, que deixaram a sopa de alho-poró esfriar e, como o dia estava muito quente, a serviram fria mesmo. No lugar de reclamações, o sucesso. Nascia ali a Vichisoyse, uma das receitas mais conhecidas da gastronomia. E como o clássico deve ser reinventado, vários chefs já transformaram a tradicional receita, dando um toque pessoal ao prato. O curitibano Flávio Frenkel é um deles. Nas mãos do premiado cozinheiro, o creme azedo com caviar servido originalmente ao chefe da igreja católica ganhou guarnição de lula e um toque bem brasileiro.
''Os ingredientes que utilizei dão um toque tropical ao prato, mas a receita principal ainda é a tradicional'', explica Frenkel. Nascido em Curitiba em 1968 ele herdou o gosto pela culinária do pai, que tinha uma chácara em Quatro Barras. Lá ele via o pai pegar os ingredientes da horta que mantinha e passar horas cozinhando para a família. Hábito que o influenciou.''A fruta não está longe do pé'', brinca. Apesar do extenso currículo e dos inúmeros prêmios, Frenkel se tornou chef há cerca de 5 anos, mas começou a cozinhar - deixando a carreira de redator publicitário - há mais de uma década.
O chef esclarece uma confusão comum com a nomenclatura reservada ao cargo. ''Muita gente acha que todo cozinheiro é chef, mas o chef é um cargo, não é uma profissão. Fazer um curso de 'chef' no resto do mundo é como fazer um curso para presidente de multinacional. Não existe'', explica.
Independentente da nomenclatura, quando o assunto é competência, Frenkel já tem seu nome escrito na história da gastronomia brasileira. Foi eleito o Chef do Ano em 2006 pela Revista Gula. Em 2005, depois de retornar de uma longa temporada na Califórnia, onde estudou na California Culinary Academy e trabalhou em vários restaurantes, abriu o Capoani Caffé. Durante sua gestão, o bistrô ficou entre os três melhores restaurantes contemporâneos do Brasil pelo prêmio promovido pela Folha de S. Paulo e conquistou uma estrela do Guia 4 Rodas.
Agora, ele comanda o Anis Gastronomia, em Curitiba. Uma espaço voltado para culinária em eventos. Para poucas ou centenas de pessoas. Mas essas dezenas a mais quando o tema é quantidade não assustam o curitibano. ''Tanto faz cozinhar para um número menor ou maior, o que vai mudar é a técnica e o modo de preparar os pratos'', salienta.
Quando o assunto é preferência pessoal, ele revela não ter nenhum prato específico como predileto, mas gosta de frutas e verduras e opta por comidas saudáveis no lugar de fast foods. ''Sou um gordinho saudável, com bons hábitos alimentares'', brinca.
VICHISOYSE - SOPA DE ALHO PORÓ
4 copos cheios de alho-poró picado (só a parte branca)
1 batata média
1/2 cebola média
2 dentes de alho
1 maço amarrado com folhas de louro, salsinha e tomilho frescos
sal e pimenta a gosto
Modo de preparo
- Colocar todos os ingredientes em uma panela com 1 colher manteiga e refogar sem dar cor. Cobrir com água e desligar quando o alho-poró e a batata estiverem macios. Bater no liquidificador bastante tempo e não coar. Acrescentar sal e pimenta.
Guarnição
2 lulas
ovas de salmão
ovas de capeline
coentro
gengibre
cebola roxa
limão
sal
pimenta
Modo de preparo
- Cortar a lula bem fininha, temperar com sal, pimenta, gotas de limão e a cebola e o gengibre cortados em pedaços pequenos. Colocar coentro a gosto. Deixar marinar por 24 horas.
Montagem do prato
- Servir a sopa gelada em uma tigela e colocar a lula crua (o limão cozinha a lula, quando deixado de um dia para o outro) e guarnecer com as ovas de salmão.


