"Eu podia até dormir em pé num quarto minúsculo. Mas a sala tinha que ser grande, sempre sonhei com uma sala como esta. Adoro esse espaço, essa vista", disse Zeca Correia Leite, 60 anos, jornalista e escritor, muito satisfeito com seu apartamento, comprado há sete anos, na 13 de Maio. Ali, ele organiza encontros com os amigos, muito bem servidos com comidinhas e petiscos feitos por ele mesmo e um bom vinho. Ah, não pode faltar música de qualidade em sintonia com o momento. Durante essa entrevista, Zeca colocou "Lionel Hampton e Dexter Gordon - Seven Come Eleven".
O CD, aliás, é fruto das andanças de Zeca pelo Centro em busca de tesouros à preço de banana. Uma das coisas que mais gosta de fazer como morador do bairro. Esse ele comprou por R$ 4,00. "E não é pirata. Não acho justo ganhar dinheiro em cima do trabalho dos outros", comentou. "Adoro andar. Saio por aí xeretando, fuçando as lojas, os sebos. Vou ao sacolão, a um café, resolvo minhas coisas todas a pé. Meu cotidiano é humilde, de um aposentado", brinca.
Se não promove encontros com os amigos em casa, Zeca gosta dos espetáculos no Teatro da Caixa, pela qualidade e também pelo preço, em média R$ 10,00. "Saio 10 minutos antes do espetáculo começar e chego na hora. Uma das vantagens de morar no Centro", destaca. "Não gosto de depender de ônibus e não tenho carro. Sou uma das raríssimas pessoas que não sabe dirigir", aposta ele, observando que os seus olhos já se acostumaram com a diversidade do Centro.
"Perdi muito da beleza do Centro por esse convívio íntimo. O Centro é parte da minha vida na qual eu transito, tornou-se inseparável", define o paulista. Desde que chegou em Curitiba, em 1973, ele morou no Centro. Passou três anos na Casa do Estudante. Morou 11 anos no edifício da Glória, na Nestor de Castro. Depois na Santos Andrade, por mais cinco anos. "Curitiba era glacial, o clima e o povo. As coisas mudaram muito ou eu mesmo virei glacial. Mas acho que não fiquei tão frio, sou daquelas geladeiras defeituosas", brinca Zeca Leite. (F.G.)

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