Legenda: Anete Barison Dal Sasso, 77 anos: a idosa produz geleias e conservas artesanais
Legenda: Anete Barison Dal Sasso, 77 anos: a idosa produz geleias e conservas artesanais | Foto: Walkiria Vieira

Cada ano que passa, ela fica mais bela. Esse é o ponto de vista dos tantos grupos de idosos que comemoram o passeio e não se cansam de caminhar pelo Parque Governador Ney Braga, sede da 59ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Tanto o paisagismo, que já é parte do ambiente natural, como os animais e adornos que se instalam nos dez dias de evento são atração e não passam despercebidos pelos mais experientes.

Com olhar renovado, lá está o grupo da Terceira Idade do Sesc, unidade Fernando de Noronha. Geny Tiron, 81 anos, admira as orquídeas e reconhece: “Aqui tem trabalho de muita gente”. Sua colega, Marlene Benini, 66 anos, descobre o labirinto do som, na Via Rural e faz o percurso sugerido pela instalação. “É uma experiência muito interessante o toque do bambu com nosso corpo e isso trabalha vários sentidos: o tato, a audição, a visão”, comenta. Em contato com a natureza, a professora aposentada diz que a participação em um grupo de idosos como esse enriquece a sua rotina. “É uma forma de se socializar e se sentir mais ativo”, afirma.

Usuários da Unidade Básica de Saúde do jardim Cafezal, na região sul, Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78, estreiam na Expo como moradores de Londrina. Casados há 61 anos, param de estande em estande, fazem fotografias para reverem juntos em casa e investem em peças confortáveis como tênis e chapéu para a caminhada. “Nós nos mudamos faz pouco tempo para Londrina. Morávamos no Rio de Janeiro e havíamos visitado a feira de forma independente. Com o grupo é bem bacana também. Da UBS do jardim Cafezal, eram 62 pessoas da terceira idade.

Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78: a fotografia motiva o casal a fazer passeios
Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78: a fotografia motiva o casal a fazer passeios | Foto: Walkiria Vieira

Amigas do jardim Ana Rosa, em Cambé, um quarteto fez passeio completo pelo parque na tarde de quarta-feira, (10). A oportunidade de observar animais - de pequeno a grande porte distrai as visitantes. Lurdes Tofani tem 76, Almerinda Gomes dos Santos, 63, Marisa Nunes da Silva, 66 e Elina de Matos, 73. “Agora só falta ver as flores”. E dizem que assim finalizam de modo especial a andança. Dois ônibus trouxeram turistas de Nova Santa Bárbara. Alice da Silva, 74, ficou admirada com as gamelas. “Um lindo trabalho artesanal”. Disposta, diz que nem viu o tempo passar e já pensa em retornar em 2020, quando será a edição de número 60. “É minha primeira vez e já mexi com tudo. Muito bonito”, alegra-se.

A VOZ DA EXPERIÊNCIA

Além de visitantes, a feira traz ainda expositores e facilitadores de oficinas que já estão na terceira idade e dão prova de disposição. Com vigor admirável, Santin Pez, 78 anos, interage por toda a Expo e convida simpatizantes para o curso que irá ministrar no sábado, (13). É sobre artesanato feito com a fibra da bananeira. Com um chapéu feito por ele próprio e uma bolsa transversal a tiracolo, convida sem precisar de palavras. Santin acompanha o grupo de terceira idade de Apucarana. O capricho dos trançados é de todo manual e o aspecto rústico da bananeira ganha um toque fashion e atemporal em diferentes peças. “É artesanato ao vivo e futuramente pretendo fazer e ensinar doce de banana, cachaça e vinagre”, diz. Nas mãos do sábio, a fibra da bananeira se transforma: bonés, cintos, chinelos, sandálias, tapetes, cachecóis, redes, cortinas, e diversos objetos de decoração.

Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78: a fotografia motiva o casal a fazer passeios
Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78: a fotografia motiva o casal a fazer passeios | Foto: Walkiria Vieira

Do outro lado do balcão, também está Anete Barison Dal Sasso, 77 anos. A pequena empresária é de Rolândia, faz geleias artesanais e há 15 anos reserva no calendário os dias para a Expo para um verdadeiro tête-à-tête com a nova e a freguesia fiel. Ela revela que a produção das geleias surgiu da necessidade. “Tínhamos uma indústria de malhas e as dificuldades do mercado puseram fim aos negócios”. Dal Sasso era modelista industrial e os tachos e frutas do quintal têm verdadeiro sabor de vitória para ela e seus familiares. Satisfeita com a movimentação na Feira Sabores, a responsável pela Duga, produtos artesanais, mostra-se incansável. A conserva salgada batizada de Zucchina esgotou-se nos primeiros dias. “Mas vai ter mais a partir de quinta, (11)”. “Leva abobrinha, tomate seco, alhos e ervas finas”, cita. E traz também para o evento três sabores novos de geleias: damasco, damasco com maçã e morango com tâmara. “Todas sem adição de açúcar”. Com informações sobre os ingredientes de cada potinho que oferece, reconhece que gosta muito do contato com o público. “É como se eu estivesse no palco, uma paixão de menina”.

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