A terceira idade pede passagem
Centenas de idosos visitam a ExpoLondrina e fazem da feira uma festa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Centenas de idosos visitam a ExpoLondrina e fazem da feira uma festa
Walkiria Vieira - Grupo Folha 

Cada ano que passa, ela fica mais bela. Esse é o ponto de vista dos tantos grupos de idosos que comemoram o passeio e não se cansam de caminhar pelo Parque Governador Ney Braga, sede da 59ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Tanto o paisagismo, que já é parte do ambiente natural, como os animais e adornos que se instalam nos dez dias de evento são atração e não passam despercebidos pelos mais experientes.
Com olhar renovado, lá está o grupo da Terceira Idade do Sesc, unidade Fernando de Noronha. Geny Tiron, 81 anos, admira as orquídeas e reconhece: “Aqui tem trabalho de muita gente”. Sua colega, Marlene Benini, 66 anos, descobre o labirinto do som, na Via Rural e faz o percurso sugerido pela instalação. “É uma experiência muito interessante o toque do bambu com nosso corpo e isso trabalha vários sentidos: o tato, a audição, a visão”, comenta. Em contato com a natureza, a professora aposentada diz que a participação em um grupo de idosos como esse enriquece a sua rotina. “É uma forma de se socializar e se sentir mais ativo”, afirma.
Usuários da Unidade Básica de Saúde do jardim Cafezal, na região sul, Janet Mallat, 75 e o marido Edeneval, 78, estreiam na Expo como moradores de Londrina. Casados há 61 anos, param de estande em estande, fazem fotografias para reverem juntos em casa e investem em peças confortáveis como tênis e chapéu para a caminhada. “Nós nos mudamos faz pouco tempo para Londrina. Morávamos no Rio de Janeiro e havíamos visitado a feira de forma independente. Com o grupo é bem bacana também. Da UBS do jardim Cafezal, eram 62 pessoas da terceira idade.

Amigas do jardim Ana Rosa, em Cambé, um quarteto fez passeio completo pelo parque na tarde de quarta-feira, (10). A oportunidade de observar animais - de pequeno a grande porte distrai as visitantes. Lurdes Tofani tem 76, Almerinda Gomes dos Santos, 63, Marisa Nunes da Silva, 66 e Elina de Matos, 73. “Agora só falta ver as flores”. E dizem que assim finalizam de modo especial a andança. Dois ônibus trouxeram turistas de Nova Santa Bárbara. Alice da Silva, 74, ficou admirada com as gamelas. “Um lindo trabalho artesanal”. Disposta, diz que nem viu o tempo passar e já pensa em retornar em 2020, quando será a edição de número 60. “É minha primeira vez e já mexi com tudo. Muito bonito”, alegra-se.
A VOZ DA EXPERIÊNCIA
Além de visitantes, a feira traz ainda expositores e facilitadores de oficinas que já estão na terceira idade e dão prova de disposição. Com vigor admirável, Santin Pez, 78 anos, interage por toda a Expo e convida simpatizantes para o curso que irá ministrar no sábado, (13). É sobre artesanato feito com a fibra da bananeira. Com um chapéu feito por ele próprio e uma bolsa transversal a tiracolo, convida sem precisar de palavras. Santin acompanha o grupo de terceira idade de Apucarana. O capricho dos trançados é de todo manual e o aspecto rústico da bananeira ganha um toque fashion e atemporal em diferentes peças. “É artesanato ao vivo e futuramente pretendo fazer e ensinar doce de banana, cachaça e vinagre”, diz. Nas mãos do sábio, a fibra da bananeira se transforma: bonés, cintos, chinelos, sandálias, tapetes, cachecóis, redes, cortinas, e diversos objetos de decoração.

Do outro lado do balcão, também está Anete Barison Dal Sasso, 77 anos. A pequena empresária é de Rolândia, faz geleias artesanais e há 15 anos reserva no calendário os dias para a Expo para um verdadeiro tête-à-tête com a nova e a freguesia fiel. Ela revela que a produção das geleias surgiu da necessidade. “Tínhamos uma indústria de malhas e as dificuldades do mercado puseram fim aos negócios”. Dal Sasso era modelista industrial e os tachos e frutas do quintal têm verdadeiro sabor de vitória para ela e seus familiares. Satisfeita com a movimentação na Feira Sabores, a responsável pela Duga, produtos artesanais, mostra-se incansável. A conserva salgada batizada de Zucchina esgotou-se nos primeiros dias. “Mas vai ter mais a partir de quinta, (11)”. “Leva abobrinha, tomate seco, alhos e ervas finas”, cita. E traz também para o evento três sabores novos de geleias: damasco, damasco com maçã e morango com tâmara. “Todas sem adição de açúcar”. Com informações sobre os ingredientes de cada potinho que oferece, reconhece que gosta muito do contato com o público. “É como se eu estivesse no palco, uma paixão de menina”.


