Londrina concentra a equipe mais numerosa do mundo de pesquisadores que trabalham somente com a soja. São 60 pessoas trabalhando exclusivamente com a cultura na Embrapa Soja que, no total, conta com 70 pesquisadores (o restante é dividido entre as pesquisas de trigo e girassol). Esta quantidade de pesquisadores rendeu ao município o título honorífico de ‘‘Capital Mundial de Tecnologia da Soja’’. A partir das pesquisas desenvolvidas aqui já foram lançadas 277 variedades aptas ao plantio em todo o País. A soja é um dos principais produtos da balança comercial brasileira.
  Nos laboratórios da instituição são produzidos materiais segregantes – através do melhoramento genético – e enviados para diversas regiões do País para seleção de linhagens (variedades). Os experimentos de campo são desenvolvidos desta forma porque tornam as sementes mais eficientes. Como são feitos cruzamentos específicos para cada região, a cultivar em estudo fica adaptada ao clima e ao fotoperíodo específicos. Além do melhoramento, os pesquisadores trabalham também com biotecnologia (para desenvolvimento de cultivares transgênicas).
  ‘‘Nosso foco é tornar o agronegócio sustentável para o agricultor e para o meio ambiente e promover melhorias nutricionais para a alimentação humana’’, afirma o pesquisador Milton Kaster. Desta forma, as pesquisas também procuram atender as características exigidas pela indústria, com grãos mais graúdos e com hilos mais claros e com melhoramento de proteínas e açúcares, que tornam o grão mais palatável. A produção de sementes é feito em parcerias público-privadas com a Fundação Meridional, que financia parte das pesquisas e detém exclusivamente de comercialização.
  Entre 30% e 35% da produção estadual de soja são de variedades desenvolvidas pela Embrapa Soja. No entanto, a intenção não é dominar o mercado, mas suprir as necessidades regionais e atuar onde há mais necessidade por tecnologia. E, para isto, deve haver inovação para o preparo de cultivares aptas a enfrentar problemas climáticos, como o aquecimento global. ‘‘Hoje as variedades estão mais produtivas. Há 40 anos o rendimento nas lavouras era de 1 mil quilos por hectare, hoje é superior a 3 mil quilos/hectare. Foram avanços e progressos fantásticos’’, avalia Kaster.
Girassol
  Outra linha de pesquisas da Embrapa Soja é com o girassol. O objetivo é trabalhar soluções para a cadeia produtiva. Inicialmente as pesquisas visavam garantir uma maior oferta de óleo para a alimentação humana. ‘‘O produto é considerado nobre por ter menor teor de gorduras saturadas e por ser rico em compostos que desfavorecem o surgimento de doenças cardiovasculares’’, afirma a pesquisadora Regina Villas Leite. No entanto, o avanço das pesquisas abriu mais um caminho: o biodiesel. A produção é incipiente, mas a área cultivada vem crescendo a cada ano com demanda positiva das indústrias.

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