A surpreendente riqueza dos rios
Em sua maioria, são pequenos e coloridos. Gostam de rios com boa correnteza, mas não muito profundos. E contribuem de forma decisiva para a qualidade ambiental de nosso sistema hídrico. Estamos falando dos peixes da bacia do Rio Tibagi - uma miríade de mais de 120 espécies que coloca Londrina e região numa posição extremamente privilegiada quando se fala de biodiversidade em águas doces. Somente na área urbana, já foram catalogadas mais de 60 espécies de peixes.
Apesar da ocupação populacional das últimas décadas, alguns rios de Londrina ainda conservam condições ambientais extremamente favoráveis para a sobrevivência dos peixes. Bons exemplos são o Taquara e o Apertados, dois rios de médio porte que cortam a zona sul da cidade e que contêm grande quantidade de peixes pequenos e médios - compatíveis com seu fluxo dágua.
Por seu tamanho, o rio Tibagi, que atravessa a cidade num trecho de mais de 60 km, é o único que contém espécies de grande porte, como dourado e pintado. Já na área urbana, os córregos e riachos são o habitat preferencial dos peixes pequenos.
"É uma fauna surpreendente e riquíssima", conta o biológo e estudioso de peixes, Mário Luis Orsi, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo ele, a região abriga os três tipos de peixes que existem no mundo: de escama, de couro e os cascudos, que são revestidos por uma capa dérmica.
Os estudiosos ressaltam que ainda não é possível apontar a quantidade exata de espécies presentes na região, já que continuamente são encontrados e descritos novos tipos de peixes. Algumas espécies entraram para a literatura mundial a partir da descoberta realizada na própria UEL, como o Hypostomus Lacépède - um tipo de cascudo de pintas amarelas descrita pelo professor Oscar Akio Shibata e dois outros pesquisadores, um de Maringá e outro de Porto Alegre.
Além da beleza, os peixes originais de nossos rios contribuem para a qualidade da água e, acreditem, para a própria saúde da população. Isso porque, ao agirem como predadores de pragas, ajudam a reduzir a proliferação de mosquitos como o Aedes aegipty e o Anopheles (mosquito prego), transmissores da dengue e da malária, respectivamente.
A poluição é a inimiga número um da biodiversidade nos rios. Prova disso é que o Ribeirão Cambezinho - que forma os lagos Igapó -, além dos rios Quati e Jacutinga, na Zona Norte, são os que apresentam menor quantidade de espécies.
No Igapó, os últimos levantamentos mostram que há pouco mais de 30 espécies - aproximadamente metade daquelas registradas em cursos d´água mais bem preservados.
"Além da contaminação por esgoto, lixo, assoreamento e pela própria formação das barragens dos lagos, a introdução de espécies exóticas, como tilápia e tucunaré, dificultam a sobrevivência das espécies nativas", conta Orsi.





