A província
Estelio Feldman
Não é equivocado considerar o Paraná um Estado do século 20. Em 29 de agosto de 1853 o imperador D. Pedro II sancionou a lei 704 que criou a Província do Paraná que era, até então, a Comarca de Curitiba na Província de São Paulo. A instalação da nova Província ocorreu em 19 de dezembro de 1853, em sessão solene em que tomava posse como presidente (equivalente ao governador de hoje) Zacarias de Góes e Vasconcelos. O Paraná de 1853 era uma Província pobre e quase sem projeção no Império. Em 1854, contava 62 mil habitantes. Não havia sequer estradas próprias para o trânsito de carros de boi. Sem recursos financeiros, foi preciso construir e instalar tudo. Presentemente, força é reconhecer que a congonha (erva-mate) e a criação absorvem a atenção e a atividade da grande maioria dos habitantes da Província, escreveu Zacarias de Góes e Vasconcelos em relatório sobre a região que lhe cabia governar. E Jesuíno Marcondes, que começou na política com a emancipação do Paraná, dizia: Teremos muito que trabalhar para atender às necessidades do nosso aparelhamento econômico. E destacava as grandes necessidades que precisavam ser atendidas prioritariamente: a emancipação financeira, o estabelecimento de um sistema de estradas, a instrução pública a ser montada e a melhoria do gado.
Nos 36 anos que se passaram desde a emancipação do Paraná à proclamação da República (quando deixou de ser Província para ser Estado), o crescimento provincial foi lento. O Brasil era um País atrasado, o Paraná uma Província distante. A participação paranaense na vida nacional era pequena. Só dois ministros competentes foram dados pelo Paraná ao Império, na época. A população da Província chegou a 120 mil em 1889 (menos que o dobro do que havia em 1854). A economia se baseava, principalmente, na extração de erva-mate. Curiosamente, embora a escravidão vigorasse no País na época, o Paraná tinha poucos escravos: havia 1.623, em 1844, total que cresceu pouco nos anos seguintes. O abolicionismo, que foi grande no Paraná, propiciou uma nova onda: a imigração européia que, segundo os historiadores, definiu a etnia brasileira.





