OPINIÃO
A prioridade para a agricultura?
João Paulo KoslovskiO esforço desenvolvido pelos setores produtivos brasileiros visando superar as dificuldades da economia globalizada demonstra a criatividade e até mesmo a ‘‘ginástica’’ que está sendo feita para manter as empresas em atividade. Custa acreditar que o Brasil, com toda sua potencialidade, possa ficar tanto tempo sem a definição de políticas consistentes que estimulem a produção.
Os números evidenciam que é possível reverter essa crise graças às características pecualiares de nosso País. No campo, sem dúvida, reside a nossa maior esperança, aliás as últimas estatísticas provaram isto, pois foi a agricultura que apresentou, mais uma vez, crescimento positivo.
Poucos são os países do mundo que têm condições de clima, de solo e riquezas naturais e minerais como o Brasil. Podemos facilmente incorporar ao setor produtivo de alimentos mais 150 milhões de hectares, 90 milhões dos quais no cerrado. Em algumas regiões temos condições de tirar até três safras num ano, produzindo uma gama imensurável de alimentos, de origem vegetal.
O nosso clima, com incidência solar invejável quando comparada com a maioria dos produtores de alimentos do mundo, permite que tenhamos frutos de excelente qualidade e sabor em épocas diferentes de nossos concorrentes.
Todos conhecem os estrangulamentos que impedem dinamizar e ampliar o setor produtivo primário, mas lamentavelmente não vemos condições de resolvermos estas questões, em curtíssimo prazo. As reformas necessárias e a redução do custo Brasil são questões estruturais que não ocorrerão num piscar de olhos, embora sejam fundamentais para que possamos ter produtos competitivos com os nossos concorrentes.
O estabelecimento de um projeto agropecuário para o desenvolvimento do País a médio e longo prazos também não acontece na velocidade desejada pelo setor, pois não há recursos financeiros suficientes para atender as demandas de todos os setores. Propostas de implantação de política agrícola consistente existem e a mais recente e representativa certamente é a do Fórum Nacional da Agricultura, que apresenta sugestões que, se implementadas, certamente mudarão a história do agronegócio do País.
Mas, se não podemos realizar tudo de uma úinica vez, será que não deveríamos dimensionar os recursos necessários para a infra-estrutura de apoio ao setor, com uma política de safra englobando custeio, investimento e comercialização em cima de metas de produção? Por exemplo, poderíamos dimensionar o que precisamos para, na safra de 2000/2001, alcançarmos 100 milhões de toneladas. É preciso estabelecer as mínimas condições para que o agricultor saiba exatamente com o que pode contar e qual a segurança que terá para realizar um projeto dessa natureza.
A agricultura deu e continua a dar provas de sua capacidade em contribuir para o desenvolvimento do País. É uma grande geradora de empregos e sobretudo é a dinamizadora da economia secundária e terciária. Acreditar neste potencial, mas sobretudo colocá-lo à disposição do desenvolvimento do País, é uma tarefa de todos nós e não podemos entender por que não se desenvolve um projeto que considere a agricultura como prioridade de fato. Chega de intenções que ficam só no papel, como tem ocorrido ultimamente.
Todos somos brasileiros e temos responsabilidades para com a nossa Nação. É preciso que cada um a de nós, agricultores, lideranças, classe política e executivo, apóie as ações desenvolvidas visando o estabelecimento de políticas de médio e longo prazos, que permitam dar ao agricultor e ao setor primário a estabilidade tão necessária para o planejamento das atividades agrícolas.
É preciso fazer valer a importância que o setor representa no contexto econômico brasileiro, especialmente para solucionar esta crise que assola o País.
João Paulo Koslovski é engenheiro agrônomo, presidente da Ocepar - Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná e vice-presidente da OCB.

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