A primeira vez na escola
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sábado, 28 de janeiro de 2017
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 

É um processo natural e esperado na vida de toda criança. Mas quando chega o dia de ir pela primeira vez à creche ou à escola, a ansiedade é grande, difícil de controlar. Tanto nos pequenos como nos pais. A representante comercial Fátima de Souza lembra bem o desafio que foi deixar o filho Matheus, hoje com três anos, pela primeira vez na creche. Na época ele tinha um ano de idade e a mãe ficou com o coração apertado. "É uma sensação muito complicada. Você precisa passar segurança para ele, só que ao mesmo tempo você está um pouco insegura. Ele quer chorar, você diz para não chorar, mas você também quer chorar. Foi uma loucura", relembra, com bom humor.
"A ansiedade é um sentimento natural, pelo início de um novo ciclo para ambos. O segredo, que é também desafio, é encarar tudo com tranquilidade", orienta a psicóloga Camila de Moura, especialista em Psicoterapia Infantil. As dicas valem tanto para crianças que estão indo pela primeira vez à escola ou creche como no caso de uma mudança de instituição. Para ela, um processo tranquilo começa na escolha da escola. "Conhecer o processo pedagógico, os métodos de aprendizagem e a equipe de professores do local traz segurança aos pais, sentimento que consequentemente é transmitido para os filhos", aponta.
Para a psicóloga Silvia Rocha, a participação dos filhos na decisão da escolha do lugar também é importante. "Você pode criar uma lista de prós e contras das opções de escola e discutir com a criança quais são as prioridades para ela, dentro de critérios estabelecidos pelos pais. Isso faz com que ela seja protagonista do processo", sugere. É ideal também que se fale sobre o assunto dentro de casa. Conversar sobre a importância da escola, explicando que frequentá-la é um ato comum para todas as crianças, além de reforçar o prazer proporcionado pelas brincadeiras e aprendizados por lá, proporciona uma atmosfera de interesse na criança. "Não evita aquela insegurança inicial dela, o medo de não estar com os pais durante algumas horas, mas cria uma sensação maior de controle para o momento, que ajuda bastante", complementa Camila.
O primeiro dia de aula é geralmente o mais tenso dessa fase. É esperado que a criança fique ansiosa e com receio, afinal toda situação nova gera medo. Por isso, possíveis crises de choro são naturais. "É um choro pelo desconhecido, pela separação. A criança está caminhando para um primeiro grau de independência", observa Camila, que destaca o papel dos pais nessa hora. Como a criança pode se sentir perdida, ela observa a atitude dos pais em busca de referências sobre como deve se comportar. Uma mãe que chora ao deixar o filho na porta da escola sinaliza para ele que algo ruim está acontecendo. Portanto, quanto mais tranquilos e naturais os pais se mostrarem, melhor para a criança.
Mas fique atento se esse choro se prolongar por mais de uma semana. "Pode ser sinal de que há algo de errado, algum problema emocional na criança, um medo de separação. Se isso ocorrer, é melhor buscar ajuda profissional", avalia Camila.
Algumas instituições possuem, nas semanas de integração, a opção dos pais permanecerem no colégio. "Se a mãe leva a criança e diz que vai ficar no pátio, é preciso cumprir. Não pode falar isso e sair escondido. O importante é deixar claro para a criança que está ao lado dela, participando daquele momento", orienta Silvia.
Outra dica vem de Fátima: conversar com outras mães. Para ela, o diálogo com amigas que estão passando ou já passaram pelo mesmo processo ajuda na compreensão do momento. "É uma hora difícil, mas não tem de ser. A gente passa meses cuidando em tempo integral do filho, aí de repente você fica longe dele, então dá aquela angústia. É compreensível. Mas minha sugestão é encarar com alegria, afinal é o primeiro passo importante na vida de alguém que a gente ama tanto e um aprendizado para os dois. Os dois crescem. É preciso estar feliz e fazer com que ele fique feliz também", recomenda Fátima.


