A primeira saia da Redação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Jota Oliveira 
Costumava-se dizer, principalmente com relação a uma Redação de jornal, que lugar de mulher é na cozinha ou pedalando uma máquina de costura. Cristiani Lourenço pensava diferente. Queria ser jornalista. Até fez um cursinho livre e decidiu encarar o machismo reinante na Folha. Ela foi admitida, em julho de 1969, como aprendiz de laboratorista, com o fotógrafo Darci Felix (atualmente barbeiro em Curitiba). Mas Cristiani ficou pouco na Fotografia; foi para a Redação a convite de Leonardo Henrique dos Santos, então chefe da reportagem local. Em outubro de 1969, ela foi registrada como repórter.
Pouco tempo depois chegava a segunda jornalista da Folha, Linda Bulick. O reduto machista estava desabando. Hoje trabalham na Redação da sede do jornal, em Londrina, 36 mulheres, contra 64 homens. No total, a Folha tem 134 jornalistas: 81 homens e 53 mulheres (ver nesta edição). Trabalhavam na editoria Local, quando Cristiani chegou o Puls, o Carlos Eduardo Lourenço Jorge e o Ricardo Sampaio, hoje juiz e presidente do Tribunal Regional do Trabalho no Paraná.
Outra lembrança: Léo trouxe uma experiência da Última Hora e aplicou aqui, quando chefe de reportagem local: inventou o repórter setorista. Para distribuir o pessoal por setores, dividiu o centro da cidade. Cristiani cobria questões relacionadas à Saúde. Eram cinco repórteres locais. Um dos seus colegas de cursinho, Luiz Cláudio Cunha, era repórter do Regional. Toda essa turma fizera o cursinho livre de jornalismo, dado por Edilson Leal (atualmente procurador-aposentado do Estado de Roraima).
Cristiani trabalhou na Folha de 1969 a 1973, quando saiu para casar com Creso Moraes, então secretário do jornal. A Folha tinha apenas duas jornalistas: ela e Linda. No lugar de Cristiani entrou Rose Arruda (atualmente assessora da vice-governadora Emília Belinati).
Cristiani destaca o incentivo que teve de Luís Cláudio Cunha, então também aprendiz de jornalista, que fizera o colegial com ela. Fez também o cursinho de Edilson. O gaúcho Cunha dizia: Se tu queres ser jornalista, guria, vai lá. Senta do meu lado. A intenção era defendê-la de eventuais brincadeiras e chateações dos colegas. Das coisas boas a gente não esquece, diz Cristiani.
Brincalhona e piadista, Cristiani fazia isso para obter a simpatia dos colegas, ser aceita pelo grupo. Nelson Severino, o Morcego recomendava: Não fala (bobagem) agora. A Cristiani está por perto. Ela era a servidora de bolo, comandava os aniversários. Cristiani e Creso moraram dois anos e meio nos EUA, depois voltaram e criaram em Curitiba a Enfoque, empresa de assessoria de imprensa mantida até hoje.


