Não existe torcedor mais empolgado em Curitiba atualmente do que o paranista. O Tricolor vive a euforia de disputar pela primeira vez a Copa Libertadores da América, o mais importante torneio de clubes do continente. Na semana passada, pela fase preliminar do torneio, o Paraná Clube derrotou o chileno Cobreloa por 2 a 0, na casa do adversário. O jogo de volta será disputado amanhã, em Curitiba. Para passar à fase de grupos da Libertadores, o Tricolor precisa apenas de um empate. Até uma derrota por um gol de diferença classifica o Paraná Clube.
Caso a sonhada vaga se confirme, o orgulho de ser paranista vai falar alto. ''Torço para o Paraná Clube desde os 17 anos, quando vim para Curitiba. Antes, eu morava em Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava) e torcia para o Santos. Comecei a torcer para o Paraná porque gostei da simpatia da torcida. Acompanho os jogos sempre pelo rádio. Esse primeiro jogo (contra o Cobreloa) foi bastante sofrido, mas valeu a pena. Acho que estamos garantidos'', diz o porteiro Lincon Ferreira Gonçalves Filho, 26 anos.
Dos times do chamado Trio de Ferro do futebol paranaense, o Paraná Clube era o único que nunca tinha disputado a Libertadores. ''Essa participação é importante, porque o Paraná é um clube novo, com poucos anos de história, e já faz parte de um torneio continental. Como torcedor, acredito que o time vai ter um bom desempenho na Libertadores. Mas acho que ainda precisava de mais umas três contratações de peso'', opina Fábio Luís Nemer Nogueira, 27, integrante da Fúria Independente, a maior torcida organizada do Paraná Clube.
O melhor desempenho de um time paranaense na Libertadores foi o vice-campeonato do Atlético em 2005. Entretanto, os paranistas se apressam em desmerecer o feito do Furacão. ''O Atlético, nas três vezes que disputou a Libertadores, foi uma vez para as oitavas-de-final, uma caiu na primeira fase e teve essa em que chegou à final. Mas só conseguiu isso porque deu sorte. Pegou o Santos com o Robinho vendido e o Chivas com a maior parte do time na Seleção Mexicana, que disputava a Copa das Confederações. O Coritiba, por sua vez, só teve participações medíocres na Libertadores'', diz o estudante Alysson Matioski, 23.
Ele e o publicitário Conrado Canzonieri, 24, amigos de infância, são daqueles torcedores que perdem poucos jogos do Paraná Clube em Curitiba. ''No ano passado, só deixei de ir a quatro jogos do Paraná em casa'', garante Canzonieri, que não perde a oportunidade de tirar um sarro dos rivais do Tricolor.
''Eu estava no Morumbi na final da Libertadores entre São Paulo e Atlético, em 2005. Estava em São Paulo e fui ao estádio só para 'secar'. Fui com a camisa do Paraná e fui uma das testemunhas do massacre'', relata o publicitário, fazendo referência à goleada de 4 a 0 que deu o título ao time paulista. ''O Coritiba e o Atlético só tiveram dois lampejos na história, que foram os títulos brasileiros que conquistaram. A maior prova de que foram apenas lampejos é que os dois ganharam as piores finais da história, contra Bangu e São Caetano. O Atlético sempre viveu na sombra do Coritiba. Agora que o Coxa caiu para a Segunda Divisão, o Atlético anda meio sem rumo...''
Apesar da euforia da primeira Libertadores, Matioski e Canzonieri são contidos na previsão do desempenho do time. ''Eu tinha mais medo dessa fase preliminar. Se o Paraná fosse mal em um dos jogos, não iria adiante. Mas para a fase de grupos, estou mais sossegado. O Paraná vai para o grupo do Flamengo, que é o mais fraco dos times brasileiros na Libertadores. E ainda é freguês nosso. Se o Paraná chegar às oitavas, já vai dar uma sensação de missão cumprida'', comenta Matioski.
''Se o Paraná for campeão da Libertadores, vai haver um infarto coletivo. Se for campeão mundial, eu encerro minhas atividades como torcedor. Minha missão estaria completa. Mas eu não quero arriscar palpites'', diz Canzonieri.

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