Ao mesmo tempo que quer aumentar a já enorme Amazônia Azul, o Brasil ainda está longe de possuir meios para mantê-la monitorada satisfatoriamente. O primeiro submarino nuclear do país só deve ficar pronto depois de 2020. Por enquanto, são apenas cinco submarinos convencionais, 10 fragatas, cinco corvetas e 12 navios-patrulha, além de embarcações de outras classes, como o Almirante Saboia, que originalmente serve para desembarque de carros de combate, mas acaba fazendo missões de patrulha.
Durante o reabastecimento do Poit, o navio recebeu uma ordem da Marinha para agilizar a saída de Trindade e interceptar um navio baleeiro japonês que poderia estar pescando dentro da ZEE de Trindade, a 150 milhas da ilha.
O Almirante Saboia foi lançado ao mar em 1967 pelo Exército Britânico. Em 1982, na Guerra das Malvinas, foi atingido por uma bomba lançada por aeronaves argentinas, porém o artefato não explodiu e não causou grandes danos. Entre 1994 e 1998, passou por modernização e recebeu motores e maquinários novos. Em 2008, foi adquirido pelo Brasil e incorporado à Marinha em 2009.
Desde então, a embarcação trabalhou em ritmo intenso. Em 2010 ficou oito meses no mar. E acabou ficando algumas horas a mais para tentar interceptar o invasor. Foram 12 horas de navegação a 20 km/h - a velocidade de cruzeiro do navio - para chegar ao local indicado. O helicóptero Super Puma foi lançado para uma patrulha aérea. Nada foi encontrado. O pesqueiro já havia deixado as águas brasileiras.
A aposta entre os oficiais é de que aconteça um aparelhamento maior da Marinha num futuro próximo, principalmente por conta da importância comercial do mar, por onde saem 95% dos produtos exportados pelo país. Sem uma presença concreta nessas águas, é difícil garantir que elas sejam realmente exploradas só pelo Brasil. ''Estamos numa fase bastante promissora, em uma curva ascendente de investimentos'', diz o capitão de mar e guerra Oscar Moreira da Silva Filho, o comandate do navio.(W.S.)

mockup