Com o objetivo de debater o aumento da produtividade na pecuária do Paraná, a gestão nas propriedades e como agregar valor à carne, foi realizado na tarde de ontem, no Auditório Milton Alcover, no Parque de Exposições Governador Ney Braga, como parte da programação da 56ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o "Seminário Pecuária Moderna: de criador de gado a produtor de carne". O evento foi organizado pelo Grupo Folha de Comunicação em parceria com o Sistema Faep, patrocínio da construtora Vectra, governo do Estado, Cooperativa Integrada e Sicredi e apoio da Sociedade Rural do Paraná (SRP).

Na abertura o superintendente do Grupo Folha de Comunicação, José Nicolás Mejía, destacou a preocupação do jornal com o desenvolvimento do Estado, especificamente com o agronegócio, "importante para a matriz econômica paranaense e do Brasil". "Há mais de 40 anos publicamos a Folha Rural, um dos cadernos mais conhecidos e respeitados do Paraná. Nesta editoria, tentamos levar à população em geral conteúdos importantes para o desenvolvimento do agronegócio", disse Mejía, destacando que o grupo tem organizado debates sobre temas relevantes para o desenvolvimento do Estado por meio dos EncontrosFolha.

O presidente da SRP, Moacir Sgarioni, lembrou que a "pecuária moderna" começou no Paraná em meados de 1960, com a importação de gado nelore da Índia. "Na década de 1980 já se falava em adubação de pastagem, depois vieram os cruzamentos industriais, Londrina foi pioneira", opinou Sgarioni, completando que o manejo é a principal ferramenta para o sucesso da pecuária de corte.

A programação do evento contou com a palestra de Gilson Spanemberg, gestor de projetos de sustentabilidade da Apex
A programação do evento contou com a palestra de Gilson Spanemberg, gestor de projetos de sustentabilidade da Apex | Foto: Marcos Zanutto



O coordenador estadual da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Rodolfo Botelho, citou que várias regiões do Paraná têm uma pecuária eficiente, rentável e de primeiro mundo. "O que precisamos é transferir essa informação, essa tecnologia, para um maior número de propriedades e produtores rurais."

De acordo com Botelho, a pecuária de corte vem perdendo espaço para a agricultura, principalmente a soja. "Ela tem sido empurrada para as áreas marginais, de menor produtividade. E isso tem diminuído o rebanho do Estado. Somos importadores de carne e de animais." Na avaliação dele, o Paraná precisa melhorar a produtividade com base em índices técnicos, econômicos e de gestão. "O produtor tem que colocar a mão na consciência de que tem de melhorar a operação de custo, eficiência agronômica e agrotécnica. É preciso uma gestão da propriedade bem mais afiada." Segundo Botelho, o Paraná não pode querer competir com outros estados em quantidade; precisa trabalhar a qualidade da produção.

APEX
A programação do evento contou com a palestra do gestor de projetos de sustentabilidade da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Gilson Spanemberg, que falou sobre a parceria entre a Apex e o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), criado para comunicar o mercado internacional sobre a preocupação do País com a sustentabilidade da produção pecuária nacional. "A imagem da pecuária do Brasil era muito ruim lá fora. Nossa estratégia foi mostrar as boas práticas, o cuidado com os animais, a não invasão de áreas de preservação ambiental ou indígenas aos formadores de opinião internacionais", contou Spanemberg.

A Apex percebeu, segundo ele, a necessidade de mostrar a carne brasileira como um produto de qualidade e sustentável para incrementar as vendas no mercado externo. Para isso, o GTPS fez um monitoramento de mídia focado em notícias sobre a pecuária brasileira entre janeiro e agosto de 2015. "A mídia internacional tem uma tendência que fica entre a neutralidade e a negatividade."

Para mudar essa realidade, o grupo tem desenvolvido várias ações, como agregar valor à carne comercializada, especialmente em mercados preocupados com a origem dos produtos, que é um fator decisório para a compra. Segundo Spanemberg, é preciso também comunicar à comunidade internacional sobre os resultados positivos obtidos pelo setor nos últimos anos, tanto no aumento da eficiência produtiva, como no controle do desmatamento. Entre os desafios do setor, para Spanemberg, estão maior engajamento dos pecuaristas, melhoria da comunicação com o público estrangeiro, desmistificação da relação entre a bovinocultura e o desmatamento, redução de emissões de CO2 e garantia de saúde animal. (Colaborou Mariana Guerin)

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