A partir dos 4 anos, alerta
A primeira fase de desenvolvimento infantil inicia com o seio materno. Quando não está mamando, a criança descobre o mundo pela oralidade. "Desde o nascimento até os quatro anos, a criança procura substitutos para esse contato com a mãe. Nessa fase oral, a boca é onde ela mais sente prazer. Observamos que a criança coloca o dedinho na boca e qualquer objeto que enxergue pela frente", contextualiza a psicóloga Juliane Kravetz.
"A medida que vai crescendo, a criança busca outros substitutos, como a chupeta, a mamadeira, o próprio dedo. Isso é natural. Mas qualquer substituto em excesso é ruim, quando ocorre uma dependência e a criança passa a dormir, todos os dias, por exemplo, só se estiver com a chupeta e não tem a segurança de dormir sozinha", ensina a psicóloga. Mas depois dos quatro anos, alerta a especialista, esses hábitos são desnecessários porque a criança já está se preparando para a segunda fase da infância que começa aos seis anos de idade.
"Se a fase da oralidade não acabar, pode continuar a vida toda, como comer em excesso, roer a unha e alguns casos de adultos que passam a usar cigarro. Todas as substitutições são vistas como normais, mas é preciso avaliar cada caso, se o hábito está prejudicando a vida da pessoa, se virou uma patologia e há uma dependência", explica Juliane, ressaltando a importância da criança sentir prazer em outras coisas, como ouvir histórias e participar de brincadeiras e jogos.
"Contar histórias é uma maneira dos pais transmitirem segurança para os filhos, o lúdico atrai muito as crianças porque entra na realidade delas, sem agredir", ensina ela, sugerindo que os pais levem os filhos na Hora do Conto, no Bosque Alemão. "Muitos pais ficam ansiosos para que o filho deixe logo a mamadeira e a chupeta. Através da fantasia, da bruxinha e de todo aquele ambiente fantástico da Hora do Conto fica mais fácil retirar esses hábitos. É muito melhor do que punir, pressionar ou premiar os filhos", orienta.
Segundo a psicóloga, o ideal é que as crianças deixem a mamadeira e a chupeta entre dois e três anos, por vontade própria. Já as que mostram dependência desses objetos ainda aos sete e nove anos, os pais devem ficar alertas. "Quando perceberem que não conseguem mais ajudar o filho e perderam o controle da situação, aconselho os pais a buscarem ajuda de um profissional", disse Juliane Kravetz. (F.G.)





