Simone Mattos

Marcelo Almeida‘‘O Coxa é a maior paixão da minha vida’’, afirma Denísio Belotti, 76 anos, que aos sete era jogador-mirim do clubeO verde e o branco se agitam de um lado, enquanto uma multidão vermelha e preta faz o contraponto. Atlético e Coritiba. Nenhuma disputa é mais acirrada do que um confronto entre os dois times mais tradicionais da cidade. Cada atletiba é como se fosse o primeiro e o último, o tudo ou nada, uma questão de honra para milhares de torcedores. Neste domingo será assim, mais uma vez.
‘‘O Coxa é a maior paixão da minha vida, que cresce a cada dia mais’’, afirma o torcedor Denísio Belotti, 76 anos, que atualmente faz parte da diretoria do clube e orgulha-se de ter sido jogador-mirim aos sete anos de idade. Para completar, ele mora ao lado do campo do Coritiba, como prova de amor e fidelidade ao time.

Marcelo AlmeidaO presidente da torcida organizada Os Fanáticos, José Carlos Belotto, é filho de um torcedor do Coritiba. ‘‘É a evolução das gerações’’, diz eleDo outro lado, o presidente da torcida organizada do Atlético ‘‘Os Fanáticos’’, que conta com mais de 14 mil torcedores, José Carlos Belotto, orgulha-se ao lembrar de tudo o que já fez pelo time. ‘‘Eu dedico muitas horas dos meus dias pelo clube e faria qualquer coisa por ele’’.
Contrariedades à parte, há quem garanta que seja possível a convivência pacífica entre ‘‘coxas’’ e atleticanos. ‘‘O meu pai, que é ‘coxa roxo’, já nos ajudou a levar material dos Fanáticos, em seu carro, para a sede da torcida’’, afirma Belotto.

Marcelo Almeida‘‘Nós procuramos não ficar tirando sarro um do time do outro e depois dos jogos tentamos apenas conversar sobre os lances polêmicos, sem grandes discussões’’, conta o presidente da torcida. Belotto garante que sempre houve um ótimo relacionamento entre ele e seu pai.
Sem perder o espírito esportivo, entretanto, ele costuma brincar dizendo que tem uma explicação simples para a sua paixão pelo Atlético e a de seu pai pelo Coritiba. ‘‘É uma questão de evolução de gerações’’.
Sem concordar com esta teoria, Denísio Belotti explica com orgulho que ele e toda a sua família torcem fervorosamente pelo Coritiba. ‘‘Eu, meus filhos e netos costumamos ir ao estádio uniformizados e somos chamados de Belottinho e os sete anões’’, brinca.

Albari RosaO capitão (José) Hidalgo jogou seis anos no Coritiba e o empresário Guimarães Taborda Bueno (acima) é torcedor do Atlético desde 1924Ele confessa que se emociona muito quando ouve o hino do clube, as vezes o suficiente para derramar uma lágrima. ‘‘Não sei quantas vezes já chorei no estádio, a emoção é sempre muito grande’’, confirma. Ele confessa que nos atletibas sempre fica ‘‘com o coração na mão’’.
‘‘O Coritiba é um time privilegiado, que tem o verde da esperança e o branco da paz’’, acredita. ‘‘O clube representa a grandeza do futebol paranaense’’.
Ele considera que a vitória do Campeonato Brasileiro, em 1985, foi a maior alegria que o time já lhe proporcionou, enquanto que a maior tristeza foi o rebaixamento do mesmo para a segunda divisão, anos mais tarde. Entre os muitos sacrifícios que já fez pelo Coritiba, ele lembra de um Atletiba, realizado no campo do Atlético, onde se misturou uniformizado à torcida adversária e recebeu uma série de objetos atirados em sua cabeça e nas costas.
O atleticano Belotto conta que, entre as inúmeras alegrias que já teve com o seu clube, a que mais lhe marcou foi uma vitória de 1 a 0 sobre o São Paulo, no Estádio do Morumbi, no Campeonato Brasileiro de 83. ‘‘Foi a primeira grande excursão dos Fanáticos’’, lembra.

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