Guaratuba - O buraco na camada de ozônio, o desmatamento e as queimadas não são os únicos agentes que afetam irremediavelmente a natureza. Tais agressões são as grandes vilãs para a degradação do meio ambiente. Entretanto, no litoral do Paraná, a destruição da restinga, uma vegetação rasteira bem mais tangível que a camada de ozônio pode contribuir para acelerar um quadro que é irreversível em decorrência do efeito estufa: o avanço do mar.
A função da restinga que é aquele ''matinho'' encontrado nas praias paranaenses e em toda costa marítima brasileira é reter areia para a formação de dunas, evitando assim a erosão. Com o acúmulo de areia, cria-se um obstáculo natural para que o mar não invista além da linha convencional. ''Os locais onde o homem construiu calçadas e ciclovias, são áreas onde tipicamente havia restinga. O mar continua com sua dinâmica natural, incluindo as eventuais ressacas. Se houvesse a vegetação original, as plantas (que já estão adaptadas a esta situação) sobreviveriam e em algum grau poderiam até barrar a água do mar'', explica a professora Márcia Marques, titular do Departamento de Botânica da UFPR.
A típica vegetação é resistente ao solo salino e forma uma base para o plantio de outras espécies.''Locais sem restinga estão sujeitos ao soterramento das casas pela areia, além de conter um solo muito mais pobre, sem restos orgânicos, que inviabiliza o plantio de qualquer cultura'', ressalta Márcia.
De acordo com o Código Florestal Brasileiro é proibida a remoção desta vegetação, bem como sua depredação. Nesse verão, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos em conjunto com a Polícia Ambiental - Força Verde intensificaram a fiscalização dessas áreas. A quem danificou esse espaço, foram aplicadas multas, especialmente em carros estacionados irregularmente sobre a restinga. Na praia de Caieiras, em Guaratuba, e em Pontal do Paraná, os veranistas há anos costumam levar carros até a beira-mar. Costume que pode custar até R$ 1,5 mil de multa. ''Em 1976 eu vinha acampar aqui e o cenário era totalmente diferente. É inaceitável que alguém tenha o direito de estacionar na areia do mar, depredando a vegetação. A restinga não merece ser tratada como está sendo, precisamos preservar essas áreas remanescentes'', defende Rasca Rodrigues, secretário do Meio Ambiente.
No Paraná, originalmente, havia restinga em praticamente toda a costa. Entretanto, com a urbanização do litoral, a maior parte desta vegetação foi removida para a construção de residências e de áreas de circulação, como calçadões e ciclovia. Atualmente, apenas poucos trechos apresentam restinga ainda intacta.

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