À noite, o rádio é mais ''nervoso''
No cardápio: arroz, feijão, macarrão, bife, farofa, alface, beterraba e um refresco de uva. Sou convidado a jantar no 5º Batalhão. A comida é saborosa. É uma boa oportunidade para um bate-papo com mais calma com o tenente Franck.
Ele me conta do orgulho que tem do seu Pelotão de Choque. ''Dou nota 10 para o meu pessoal, pois, sempre que preciso, eles agem de maneira impressionante. Não me deixam na mão. Posso chamar um policial que está de folga, a qualquer momento, que ele vem para o serviço. Nos momentos de combate também fazemos um trabalho muito bom, de equipe mesmo. Muitas vezes, um soldado já salvou a minha vida e eu também já salvei a vida de soldados. Só quem já trocou tiros com bandidos sabe do que estou falando''.
De barriga cheia e ânimo renovado voltamos para as ruas. À noite, o rádio é mais ''nervoso''. Não pára. A central repassa todas os roubos e furtos recentes que ainda não foram solucionados. O soldado Piai anota tudo.
A patrulha é feita na Zona Leste, na região do aeroporto, e depois no Centro. Até a 1h vão ser abordados 13 homens e uma adolescente. É justamente o caso dessa adolescente que impressiona. A garota tem 15 anos e está com dois rapazes em frente a um bar na Rua Brasil.
Vestida no melhor estilo ''patricinha'', cabelos loiros e olhos claros, ela não parece suspeita. Com os rapazes nada é encontrado. Os policiais do Choque não costumam ''bater geral'' em mulheres. Quando acham necessário a revista, chamam alguma policial feminina. No entanto, sempre olham a bolsa e outros objetos. E é justamente na bolsa da adolescente que os policiais encontram um cachimbo, que é utilizado para o consumo de crack.
Os policiais apreendem o cachimbo e não podem fazer nada com a adolescente, pois não encontraram drogas. ''Infelizmente, é comum encontrarmos moças que dizem para os pais que vão para a escola e estão na rua se drogando'', conta o soldado Pedro. A frieza e o olhar de indiferença da menina são de causar tristeza. Ela garante que a bolsa não é sua. ''Estou só cuidando, minha amiga foi ali e já volta''. Digo que ela deve escolher melhor as suas companhias, mas ela nem me dá atenção.
Uma viatura do Choque está em Tamarana, foi solicitada para garantir a segurança em um rodeio que vai acontecer por lá, mais especificamente na Zona Rural, em um lugar conhecido como ''Incrão''. Como o tenente Franck é o comandante do pelotão, temos que dar um pulo até a cidade vizinha, para ver se está tudo bem.
Às 21h57 estamos em Tamarana. Ainda faltam 30 km de estrada de terra mal conservada para o local do rodeio. Quando chegamos lá, uma surpresa. O caminhão que levava os touros não conseguiu chegar e o rodeio foi cancelado. Voltamos para Londrina. No caminho, próximo ao distrito de Irerê, mais uma abordagem de dois rapazem em uma motocicleta. Tudo normal.
Chegamos de volta a Londrina já na madrugada do sábado, às 0h10, e vamos para a região central. O plantão está quase terminando. Na Avenida Higienópolis, os policiais avistam um carro que poderia ser o de um ladrão famoso. O problema é que o veículo suspeito está subindo a avenida enquanto estamos descendo. Há um canteiro nos separando.
Mais uma vez a adrenalina sobe e o condutor pisa fundo. É preciso fazer um retorno 500 metros adiante. Perdemos o suspeito de vista. Frustração na viatura. O plantão chega ao final. ''Hoje foi muito sossegado'', dizem os policiais.(W.S.)





