A nobreza da carne
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quarta-feira, 05 de abril de 2017
Amanda de Santa Especial para a FOLHA 

Onze raças de bovinos de corte estão em exposição no Parque Ney Braga na 57ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Mais de 560 animais já chegaram à feira e a expectativa da Sociedade Rural do Paraná (SRP) é receber mais exemplares até o fim da semana. De hoje até domingo (9), boa parte deles participará de julgamentos.
Caracu, Angus, Nelore, Limousin, Purunã, Brahman, Wagyu, Charolês, Hereford, Braford e Brangus ocupam os diversos pavilhões dentro do Parque Ney Braga e chamam a atenção dos visitantes. Segundo o diretor de pecuária da SRP, Ricardo Rezende, a raça Nelore está em maior volume no parque.
A grande novidade em 2017 é o Wagyu, raça originada no Japão e que tem uma das carnes mais saborosas e caras do mundo. Já o Caracu, segundo Rezende, é uma das raças mais antigas do Brasil. "Chegou ao País junto com os portugueses", lembra.
As raças Hereford e Braford, além de participarem de julgamentos, foram tema de um evento técnico e degustação ontem no parque. O presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Luciano Sperotto Terra, explica que as principais características das raças é a precocidade na reprodução e abate e maciez da carne.
"Além de produzir mais rápido, produz com qualidade, marmoreio", destaca. O Hereford é de origem inglesa, já o Bradford surgiu a partir do cruzamento de Hereford com raças zebuínas cinco oitavos de raça britânica e três oitavos de zebuíno. O cruzamento foi feito para que o boi se adaptasse melhor a ambientes mais quentes, como o Brasil.
Uma das ações prioritárias da ABHB é a certificação da carne e carcaças de ambas as raças. "Quando a gente certifica passamos a identificar esses animais dentro da linha de abate e os embalamos com o nosso selo. Nossa intenção é fomentar a certificação para que mais produtores invistam nisso e essa carne possa chegar ao consumidor com mais frequência e preço mais acessível", explica.
O presidente do Núcleo de Criadores de Charolês do Norte do Paraná, Carlos Henrique da Silva, diz que, pela primeira vez, a ExpoLondrina recebe uma linhagem de animais da raça 100% nacional e totalmente adaptados às diversas regiões brasileiras. Por meio do melhoramento genético, os animais ganharam pelo curto, cascos menores, se tornaram mais precoces e perderam os chifres.
Silva explica que, se cruzado com Nelore, o Charolês pode ser abatido em apenas 16 meses e aproximadamente 18 arrobas. "Representa uma economia de tempo e dinheiro, porque o produtor gasta menos com pasto, vacina, mão de obra. A cada um ano e meio se produz carne", argumenta.
Como o gado é abatido cedo, a carne é caracterizada pela maciez e marmoreio. "Rende peças de tamanho médio. Uma picanha dele vai pesar em torno de 800 gramas. Quanto menor a peça, mais macia", reforça. Os animais das raças Hereford, Braford e Charolês estão em exposição no Pavilhão Manoel Ribas.
A raça Angus também será exposta e apresentada em julgamentos durante a feira. Hoje à tarde, o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber, e o gerente do Programa Carne Angus Certificada, Fábio Medeiros, estarão na Expolondrina para falar da qualidade da carne Angus e do Programa Carne Angus Certificada.

Raça Wagyu
Estreante na ExpoLondrina, os cinco animais presentes à feira um macho e quatro fêmeas - pertencem ao plantel do produtor João Noma, de Maringá. Embora esteja no Brasil desde a década de 90, a carne do boi wagyu ainda é pouco difundida no País. Segundo o técnico responsável pelos animais de Noma, João Catto, o gado exige um manejo mais cuidadoso e tem como grande vantagem a capacidade genética de imprimir mais marmoreio na carne. Esta característica é, aliás, a responsável Wagyu ser uma das carnes mais caras no mundo.
No Brasil, a produção ainda é pequena e o quilo pode ser encontrado, na região de Maringá, a R$ 300 no contrafilé considerado o corte mais nobre, segundo Catto. Os cortes mais acessíveis são encontrados a um preço médio de R$ 60. (Com assessoria de imprensa SRP)


