A multiplicação do peixe
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sábado, 02 de outubro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Fonte de proteínas, sais minerais e ômega. Baixo teor de colesterol e sabor. As qualidades da carne de peixe na alimentação estão mais que comprovadas. Todas essas vantagens, entretanto, não garantem que o produto seja presença constante na mesa do brasileiro. O consumo de peixe no País, segundo dados da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, é de sete quilos por ano e por pessoa, 50% abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Mais do que problemas na oferta do produto, hoje disponível em qualquer supermercado, o que falta é uma cultura alimentar que inclua o peixe como fonte de proteína. É essa a opinião da nutricionista Marli Ivete Borato, especialista no preparo de peixes, que esteve semana passada no Centro de Treinamento Agropecuário (CTA) da Federação da Agricultura do Paraná (Fetaep), em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), para um curso de beneficiamento de pescado.
''Existe um pouco de preconceito sobre o peixe, muito disso porque a maioria das pessoas não sabe preparar a carne e fica sempre no peixe frito'', afirma. Em 15 pratos, ela provou que não há fronteiras para a carne de pescado que pode ser, inclusive, ingrediente principal de massas como as receitas especiais de lasanha e salpicão.
Além de receitas saborosas, o curso montado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para pequenos e médios produtores rurais ensina a armazenar e preparar o pescado do abate até o congelamento ou, ainda, a defumação. ''Se a limpeza não for bem feita, a carne fica com gosto mais forte'', ensina a professora.
Boa parte das receitas foi feita a base de tilápia, uma das variedades de peixe mais utilizadas na piscicultura e produto facilmente encontrado em supermercados. Os alunos aprenderam a técnica de matar o peixe, importante, segundo a professora, para sangrar o animal e melhorar o gosto da carne. Depois, tiraram a pele, fizeram filés e, por fim, cozinharam.
Como o curso é destinado a produtores, há um forte apelo de aproveitamento da carne. Cabeça e ossos viram caldo de peixe e pirão e até a pele pode ser consumida. Depois de limpa, passada no fubá e frita, o que seria lixo vira um salgadinho crocante. ''Isso que é bom do peixe, você aproveita quase tudo'', diz a professora.
A nutricionista também alerta que o hábito de comer pescado traz uma série de benefícios a longo prazo. ''Em termos nutricionais, o peixe é rico em cálcio, sais minerais, ômega, que é colesterol bom, além de ser uma carne leve que pode ser consumida sem problemas por quem tem problemas de pressão e excesso de colesterol'', afirma.


