A mulher em números
O número de vagas preenchidas por mulheres tem aumentado nas universidades. E não é apenas nos cursos onde as mulheres sempre foram maioria, como enfermagem, pedagogia, psicologia, que elas estão ocupando espaço. Cursos que antes eram considerados essencialmente masculinos estão formando cada vez mais mulheres.
Em 1976, os homens eram maioria no curso de odontologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Havia 156 homens e 95 mulheres. A porção feminina era de apenas 37,8%. Neste ano, as mulheres representam mais da metade dos alunos do curso: 55,4%. São 228 mulheres e 183 homens.
Nas salas de engenharia química, o número de homens também estava à frente em 1976. O curso tinha 230 homens e apenas 76 mulheres. Eles representavam 75,1% dos estudantes. Este ano, o número de alunas matriculadas está muito acima do que há 23 anos. De 24,8%, as mulheres passaram a 41,4%.
O curso de arquitetura e urbanismo sempre teve um número alto de mulheres, mas, na década de 70, os homens ainda ocupavam a maior parte das vagas. Em 1976, as mulheres eram 43,8% dos alunos. Havia 105 homens matriculados, naquele ano, e 82 mulheres. Dez anos depois, as mulheres já eram 53,1%. De um total de 235 alunos, havia 125 mulheres. Neste ano, elas representam 64,7%.
As estudantes de engenharia civil não chegam à metade do número de homens, mas a presença delas teve um aumento representativo. Em 1976, eram apenas 8,3% dos alunos. Num universo de 950 pessoas, havia 79 mulheres. Em 1986, a porcentagem aumentou para 18,1%. Neste ano, 24,2% dos alunos de engenharia civil são mulheres - 276, em meio a 863 homens.
No curso de medicina, apesar da grande parcela de homens, o número de mulheres vem aumentando. Este ano, elas representam 35,2% dos alunos matriculados no curso. Os homens são em número de 756. As mulheres, 412. Em 1976, entre 760 pessoas, as mulheres eram 189 (24,8%).
Juliana Puppi, 23 anos, formou-se em medicina neste ano e, agora, está fazendo residência em pediatria. No curso de medicina, a maioria dos alunos ainda é homem, mas o número de mulheres está aumentando de ano para ano.
Segundo Juliana, ainda existe preconceito em relação à mulher em algumas disciplinas cirúrgicas. As pessoas acham que a mulher vai querer ter filhos e cuidar da família. E isso vai tomar parte do tempo que poderia ser dedicado à profissão, afirma. Outra dificuldade é em relação aos pacientes, em algumas situações. É difícil que algum paciente aceite fazer uma cirurgia cardíaca com uma mulher.





