Sem imposições, mas com uma pitada de incentivo. Famílias que compartilham da mesma profissão são bons exemplos de como os laços de parentesco também podem ser requisitos benéficos à carreira profissional.
A opção em seguir a atividade exercida pelos pais, geralmente é um reflexo da admiração sustentada ao longo dos anos pelos filhos e claro, uma questão de identificação.
‘‘Quando meu pai chegava em casa, todo sujo, com aquela roupa de bombeiro, eu comecei a alimentar o sonho de seguir a mesma profissão’’, lembra Sérgio Ricardo Rosa da Silva.
Hoje, com 33 anos, ele atua no setor de Vistorias de Prevenção contra Incêndios da Corporação de Londrina e revela o orgulho em exercer a mesma atividade do pai, Valdevino, de 59 anos e da irmã, Roberta, 28.
‘‘Quando abriu o concurso, há 13 anos, eu já tinha decidido ser bombeiro. A sorte é que pude contar com a ajuda do meu pai, tanto nas questões técnicas quanto no preparo físico. Ele me ajudou muito nos treinos de corrida e natação’’, lembra.
Com a mesma profissão, a família Silva pode compartilhar experiências e informações, que vão refletir no desempenho profissional. ‘‘Eu comento sobre os novos materiais e meu pai, sobre as situações mais marcantes durante os 26 anos que dedicou à profissão’’, conta Sérgio.
E entre tantas histórias, uma que Valdevino faz questão de revelar é de como entrou para a corporação. ‘‘Foi por acaso, em 1978. Eu trabalhava como pintor e vi um anúncio na Folha de Londrina dizendo que o Corpo de Bombeiros estava recrutando. Entrei e nunca mais parei, pois até hoje, carrego a boia que usava nos salvamentos’’, diz ele, ao enfatizar que mesmo aposentado, nunca deixará de ser bombeiro. ‘‘Se fosse para eu voltar para esta terra um dia e escolher um trabalho, seria bombeiro de novo’’, brinca.
A mais nova integrante da família de heróis é Roberta, que hoje, trabalha no setor administrativo da corporação. Graduada em pedagogia, ela conta que se espelhou no pai e no irmão e se deixou encantar pela profissão.
‘‘Sempre admirei o trabalho deles, que também foram meus grandes incentivadores. Lembro que quando decidi ser bombeira, lá estavam eles, me encorajando a estudar e a me preparar para o teste físico’’, diz.
Para os três, o fato de exercerem a mesma profissão influencia muito na união familiar, pois os acontecimentos no trabalho se tornam assuntos para discutir durante o jantar. ‘‘Jamais trocaríamos de profissão’’, ressalta Roberta.

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