A mania das figurinhas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Fabiano Camargo 
A realidade virtual dos games e a tecnologia de outras formas de diversão mais cibernéticas dos anos 90 não conseguiram acabar com o gosto da garotada pelas coleções de figurinhas. De uns tempos para cá, a mania pelos álbuns e cromos vem renascendo com força total. As trocas e até o tradicional jogo de bafo voltaram à tona, ao mesmo tempo que surgiram modalidades mais sofisticadas das figurinhas, os cards importados, que são impressos com mais cores e têm até textos contando histórias sobre os personagens que retratam.
Colégios, playgrounds e festas infantis são o palco para a volta das figurinhas, que tiveram pique renovado com o sucesso de álbuns como Rei Leão, Batmam e, a mais recente sensação, Campeonato Brasileiro (com os times de futebol da primeira divisão). De olho nas notas e no excesso de gastos com o hobby, pais e mães exercem uma vigilância cerrada para controlar o ímpeto dos colecionadores.
A criançada anda respirando figurinha. Se eu não tomar cuidado, eles fazem um estrago no meu bolso, diz a dona de casa Geórgia Carollo, uma das mães que viraram frequentadoras das banquinhas por causa da onda. Os filhos dela, Rodrigo, de 7 anos, e Mariana, 9, consomem uma média de 15 a 20 pacotinhos por dia, a R$ 0,25 cada. Este hábito das figurinhas andava meio sumido, mas agora todos os amiguinhos da escola estão fazendo, completa Geórgia.
Mariana virou fã das figurinhas do Campeonato Brasileiro por também adorar o esporte consagrado pelo Rei Pelé. Ultimamente não posso jogar futebol porque estou com muitas provas, então compenso brincando com as figurinhas, conta. Este tipo de comportamento comprova que o período de alta pelo qual passa o futebol brasileiro, desde a conquista do tetra-campeonato, também vem motivando modismos paralelos como o das figurinhas.
O gosto pelas coleções de cromos também está resgatando outras manias, como o jogo do bafo. O estudante Bernardo Ferrarini, 7 anos, é uma das feras da sua escola nesta brincadeira que andava meio esquecida. Mesmo quando meu pai e minha mãe acham ruim comprar mais figurinhas - por causa das repetidas que sempre vêm - consigo novas no bafo.


