A mamãe sumiu no mercado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Zeca Corrêa Leite 
Quem tem mãe que se cuide. Ela pode ir ao supermercado, morrer assassinada no caminho e o pobre filho se ver numa enrascada danada tentando desvendar o crime. É o que acontece com o herói (com toda pinta de anti-herói) de Mamãe não voltou do Supermercado, romance de estréia do londrinense Mário Bortolotto. O livro estará sendo autografado pelo autor domingo a partir das 10 da manhã na Livraria Curitiba, da Boca Maldita. Custa R$ 10,00.
Na mesma sessão haverá lançamento de outro escritor da terra, Stoyama, que escreveu Boka de Rua, peça de teatro baseada num assalto sofrido pelo autor há seis anos, quando se dirigia para a Rodoviária de Londrina. Pivetes cercaram-no, ameaçando furá-lo com estocadas, mas a vítima soube se safar e alguns dias depois estava no mocó dos garotos levando-lhes comida.
Suspense Bortolotto tem um jeito próprio de escrever, despojado, a vida correndo desgrenhada. Nesse cenário meio encardido e desgastado os personagens se movem, e é aí que a coisa pega: o filho que foi ao túmulo da mãe três dias depois dela morrer, e distribuiu em outras campas as flores de plástico que encontrou, acaba se envolvendo com a escória humana. É um livro de suspense, anuncia o autor.
Com um formato pequeno (pocket book), de fácil leitura, suas 134 páginas são devoradas com prazer pelos leitores. Há três meses foi lançado em Londrina, já está nas mãos dos paulistas descolados e, a partir de domingo, dos curitibanos. Mário Bortolotto está achando ótima a carreira do livro, só não entende porque seu amigo Stoyama marcou as 10 para os autógrafos. É o horário das pessoas saudáveis; os boêmios podem aparecer a partir do meio-dia porque a gente deve ficar até as duas. Ou até a livraria fechar as portas.


