A maioridade da discoteca
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sexta-feira, 23 de janeiro de 1998
Simone Mattos 
Kraw PenasO publicitário Hélcio (Kal) Gelbeck literalmente dançou no final dos anos 70. Foram tantas festas que reprovei no colégioQuem já esqueceu das plumas, paetês e perucas, das debochadas Frenéticas, do som de Glória Gaynor, das altas sandálias usadas com meias de lurex e da discoteca do Chacrinha? Vinte e um anos depois do lançamento do filme Os Embalos de Sábado à Noite (Saturday Night Fever), a moda, o som e a atitude daquela época continuam vivos. Uns amam e outros odeiam. Mas quem resiste ao bom humor do final dos anos 70?
Foi algo que atingiu a todos, dos zero aos 80 anos de idade, porque era fácil de entender e de se divertir, bem diferente do atual som tecno, acredita o publicitário André Gentil, 32 anos. Atualmente ele é o DJ responsável pelas noitadas de quarta-feira no Queen Mix Club, onde o som é exclusivamente 70s e 80s.
Na época eu era adolescente e morava no Rio de Janeiro, conta Gentil. Ele explica que desde o início foi contagiado pela música dançante. Enquanto quem tinha a minha idade gostava de rock progressivo, como Pink Floyd e Led Zepellin, eu preferia ouvir Diana Ross e Michael Jackson, lembra.
Ele critica a atual onipresente tecno, que seria um retrato do individualismo do final de milênio. Acho que o resgate dos anos 70 é fruto das saudades que as pessoas sentem daquela descontração e bom humor típicos da discoteca. Era uma fase em que todos precisavam de um par para dançar e ninguém se divertia sozinho, como hoje.
A discoteca exaltava a alegria de viver, o que foi um avanço para a juventude, acredita Gentil. As pessoas começaram a sair para paquerar, curtir e beber, o que não ocorria até ali.
Marcelo AlmeidaDono de uma coleção de mais de 200 vinis com ritmos da discoteca, o publicitário e DJ André Gentil se considera um pesquisador da época
Ele comentou que a chegada da discoteca fez também com que, pela primeira vez na história, as pessoas se reunissem para se produzir e saíssem juntas. Nunca niguém tinha visto aquelas luzes e aquele som. Até então, sair à noite era considerado coisa de marginal.
Ele acredita que o filme Os Embalos de Sábado à Noite, que retratou na íntegra a geração dos anos 70, veio para provar que as coisas não eram bem assim.
Fã incondicional da década do poliéster, Gentil admite, entretanto, que a moda da discoteca era muito cafona. Hoje é legal reciclar aquelas tendências, com tecidos novos e modernos, mas o que se usava na época era rústico, fazia transpirar demais.
Ele acredita que as propostas fossem legais, mas as roupas de plástico, poliéster e tecidos luminosos, lurex e plumas, calças boca-de-sino e golas altas não eram confortáveis para dançar durante horas, dentro de ambientes fechados.
As músicas, entretanto, eram perfeitas para se ouvir e dançar. Hits como Love is in the air, por exemplo, traziam uma letra romântica para as pistas de dança. Ele comentou também que o atual som tecno deve a sua existência à avó discoteca. A música I feel love, da Donna Summer, foi a primeira experimentação radical de teclados eletrônicos, em 1978.


