Luiz Paulo Horta
Agência O Globo
De Jerusalém
Tudo começou com uma vida curta e dramática. Um carpinteiro da Palestina – na época, uma insignificante província do Império romano – abandona a sua casa e inicia uma pregação. A princípio, ele falou para um grupo de discípulos, depois, para multidões cada vez maiores. Muitos outros pregadores tinham aparecido, num meio judaico sempre pronto a rebelar-se contra o jugo romano.
Mas esse dizia coisas diferentes. Pregava a virtude da mansidão, mandava você dar a outra face a quem lhe tivesse batido, mandava amar os nossos inimigos. Em seguida, disse que era o filho de Deus – o que fez com que os próprios parentes o considerassem louco.
A história parecia definitivamente encerrada quando esse candidato a profeta foi pregado numa cruz. Mas logo em seguida seus discípulos começaram a dizer que ele tinha ressuscitado. E aquelas pregações feitas em dois ou três anos de andanças pela Palestina foram reunidas em quatro livrinhos, sem nenhuma pretensão de rigor histórico ou científico.
O Império romano afinal tomou conhecimento do fenômeno, quando ele desembarcou na capital do mundo civilizado. Parecia um combate absolutamente desigual, que uma ou duas ondas repressivas liquidariam facilmente.
Mas em vez disso, foi o próprio Império que, num período extremamente curto, assumiu oficialmente a nova religião vinda da Palestina. Passados dois mil anos, ela é hoje a maior religião do mundo, congregando perto de 2 bilhões de seres humanos e dividida em numerosas correntes.

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