A luta para salvar os queimados
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de abril de 1999
Israel Reinstein 
O Hospital Evangélico de Curitiba é o único do Paraná que tem um setor especializado em queimados. O setor, criado em 1970, é referência no Estado e também no País. Hoje são poucos os hospitais que atuam na recuperação de queimados, por ser um serviço caro e que não traz retorno financeiro, avalia o cirurgião plástico José Luiz Takaki, coordenador do setor. Atualmente, existem unidades de atendimentos e recuperação de queimados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Minas Gerais e Bahia.
A ala de queimados do Evangélico é responsável por atendimentos de pacientes do Paraná, além de regiões do norte de Santa Catarina e do Sul de São Paulo. Takaki diz que a maioria dos pacientes é da Região Metropolitana de Curitiba.
Pela grande demanda, a instituição vem, nos últimos anos, trabalhando no limite de sua capacidade. Diariamente, são atendidos 50 pessoas vítimas de queimaduras, além de se internar outras duas com lesões graves. Para atender a todos, está se priorizando os internamentos e as cirurgias de reconstituição motora, informa José Luiz Takaki.
Takaki diz que nenhum atendimento é rejeitado, por isso os 55 membros da equipe médica dão apoio a outros hospitais. Quando não se tem vaga no Evangélico, a nossa medida é orientar os médicos de outras cidades para tomar determinadas precauções até que se desocupem novos leitos, diz.
Normalmente, quem é internado passa por longo tratamento. Da recuperação da área queimada a reconstituição de músculo e pele, são seguidos diversos passos. O diagnóstico e o tratamento começam a ser desenvolvidos já no antendimento ambulatorial. É lá que os primeiros procedimentos de desinfecção da área e aplicação de curativos são feitos. Nos casos mais graves o acompanhamento é feito nos leitos do Hospital . Em outros orienta-se o paciente para cuidar da parte lesada, fazendo voltar todos os dias para troca do curativo , comenta.
Takaki diz que os casos mais graves são acompanhados por cirurgiões plásticos. Segundo ele, a participação desse profissional é muito importante para a reconstrução da área afetada. O médico estético só começa a agir no paciente quando a pele consegue se reabilitar. Esse processo é demorado e geralmente uma intervenção cirúrgica tem que esperar até um ano para se efetivar. Nem sempre uma única cirurgia soluciona o caso.
A prioridade, por causa da estrutura, é recuperar músculos, para restabelecer os movimentos do paciente. As cirurgias estéticas são feitas apenas quando sobram leitos, diz.
O médico afirma que na maioria dos casos os acidentes não são muito graves. Ele explica que os acidentes acontecem em casa ou no ambiente de trabalho. Estatisticamente, mulheres, homens e crianças se queimam na mesma proporção, diz. O médico comenta que além disso existem queimaduras sazonais, que correm em festas ou datas comemorativas. Os casos campeões ocorrem no Ano Novo, Natal e festa junina, alerta.


