O Hospital Evangélico de Curitiba é o único do Paraná que tem um setor especializado em queimados. O setor, criado em 1970, é referência no Estado e também no País. ‘‘Hoje são poucos os hospitais que atuam na recuperação de queimados, por ser um serviço caro e que não traz retorno financeiro’’, avalia o cirurgião plástico José Luiz Takaki, coordenador do setor. Atualmente, existem unidades de atendimentos e recuperação de queimados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Minas Gerais e Bahia.
A ala de queimados do Evangélico é responsável por atendimentos de pacientes do Paraná, além de regiões do norte de Santa Catarina e do Sul de São Paulo. Takaki diz que a maioria dos pacientes é da Região Metropolitana de Curitiba.
Pela grande demanda, a instituição vem, nos últimos anos, trabalhando no limite de sua capacidade. Diariamente, são atendidos 50 pessoas vítimas de queimaduras, além de se internar outras duas com lesões graves. ‘‘Para atender a todos, está se priorizando os internamentos e as cirurgias de reconstituição motora’’, informa José Luiz Takaki.
Takaki diz que nenhum atendimento é rejeitado, por isso os 55 membros da equipe médica dão apoio a outros hospitais. ‘‘Quando não se tem vaga no Evangélico, a nossa medida é orientar os médicos de outras cidades para tomar determinadas precauções até que se desocupem novos leitos’’, diz.
Normalmente, quem é internado passa por longo tratamento. Da recuperação da área queimada a reconstituição de músculo e pele, são seguidos diversos passos. O diagnóstico e o tratamento começam a ser desenvolvidos já no antendimento ambulatorial. É lá que os primeiros procedimentos de desinfecção da área e aplicação de curativos são feitos. ‘‘Nos casos mais graves o acompanhamento é feito nos leitos do Hospital . Em outros orienta-se o paciente para cuidar da parte lesada, fazendo voltar todos os dias para troca do curativo ’’, comenta.
Takaki diz que os casos mais graves são acompanhados por cirurgiões plásticos. Segundo ele, a participação desse profissional é muito importante para a reconstrução da área afetada. O médico estético só começa a agir no paciente quando a pele consegue se reabilitar. Esse processo é demorado e geralmente uma intervenção cirúrgica tem que esperar até um ano para se efetivar. Nem sempre uma única cirurgia soluciona o caso.
A prioridade, por causa da estrutura, é recuperar músculos, para restabelecer os movimentos do paciente. ‘‘As cirurgias estéticas são feitas apenas quando sobram leitos’’, diz.
O médico afirma que na maioria dos casos os acidentes não são muito graves. Ele explica que os acidentes acontecem em casa ou no ambiente de trabalho. ‘‘Estatisticamente, mulheres, homens e crianças se queimam na mesma proporção’’, diz. O médico comenta que além disso existem queimaduras sazonais, que correm em festas ou datas comemorativas. ‘‘Os casos campeões ocorrem no Ano Novo, Natal e festa junina’’, alerta.

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