Para muitos, ele não passa do ‘‘irmão do Arrigo Barnab钒. No entanto, para a maioria, Paulinho Barnabé é um artista como poucos, músico iconoclasta e inquieto, sempre em busca de novas formas de expressão. O cultuado ‘‘Corredor Polonês’’, que debutou pela sua Patife Band em 1987 e foi relançado com tiragem limitada pela WEA em 2002, sempre é lembrado quando o assunto é inovação no rock, fuga do lugar-comum e inspiração no cenário nacional. E toda essa história começou na vanguardista e jovem Londrina dos anos 60, período em que a verve efervescente era quase incontrolável entre os agitadores culturais da época.
‘‘Nasci em Londrina, sou londrinense, vivi até os 19 anos na cidade. É aquela fase de descobertas. Tenho muito apego ao momento da infância, da adolescência, isso é normal a qualquer pessoa. Mas foi em Londrina que a gente começou a descobrir o som. Foi nessa época que fui parceiro do Arrigo quando ele fez o Clara Crocodilo (elogiado pela crítica e sinônimo de vanguarda junto ao público até hoje). A gente ouvia muito som, brincava no violão. O Arrigo tinha acabado de se formar no conservatório de Londrina’’, lembra Paulinho Barnabé.
O músico afirma que Londrina, em meados de 60, vivia um momento incomum, uma agitação que agrupava as pessoas em torno da cultura, mais do que em outras cidades da região. ‘‘A gente tinha o Cineclube, que passava uns filmes de arte no edifício Júlio Fuganti. Tinha o pessoal do teatro, com o grupo do Apolo Theodoro e da Nitis Jacon, que fez uma montagem fantástica de ‘‘Mandrágora’’. Tinha também o Festival de Música. Londrina tinha uma coisa de vanguarda, de música. Vi muitas coisas que me influenciaram na adolescência’’, diz.
No período em que viveu em Londrina, entre 53 e 73, Paulinho conta que cresceu muito musicalmente, especialmente devido a ‘‘contribuições’’ de gente que trazia novidades para a cidade.
‘‘A gente ia na casa do Mário Lúcio (Côrtes, músico) e fazia experimentações, gravava sons. A Marta Furtado, uma bela pianista londrinense, recebia discos europeus e repassava para o Arrigo, que trazia para a gente. E nessa época começamos a fazer música aleatória. Isso foi uma coisa que pegou muito, para abrir a cabeça na viagem de cada um. Todas essas coisas aconteceram em Londrina, o Arrigo fez o ‘Clara’ em Londrina, as imagens construtivas de minha mente eu tenho associadas a Londrina.’’
Aos 54 anos de idade, Paulinho mora em São Paulo há 34 anos. Desde a saída de Londrina, continuou trabalhando como músico, compondo o tão aguardado próximo disco da Patife Band - que carrega o nome provisório ‘‘Pigs & Blaarghhh!!’’ já há alguns anos -, foi curador de projetos de rock no Sesc Ipiranga e, nessa vida agitada, pouco visita a cidade natal.
‘‘Não volto muito desde que meus pais faleceram. Cada um de meus irmão tem sua vida. Quando dá eu vou, mas é difícil. Mas meu sonho é comprar uma casa em Londrina, pra poder voltar quando quiser’’, adianta.
A vontade de comprar uma casa vai ao encontro com as lembranças de quando o músico retornava à Londrina para compor, já que, segundo o artista, seu método é minucioso e demorado. ‘‘Eu ia para Londrina, levava piano e partitura, ficava na fazenda dos meus pais, compondo o dia inteiro, de manhã até dormir. Passava uns três meses na fazenda e compus muita coisa nessa época. Não faço isso há uns 15 anos, hoje tenho filho e não dá pra sair daqui pra ficar três meses fora’’, justifica.
O resultado de algumas dessas composições deve estar no próximo trabalho, com data marcada para lançamento no início do ano que vem. As novidades encerram um longo inverno de 21 anos, já que nesse tempo a Patife Band, que pode mudar de nome, gravou apenas um ‘‘Ao Vivo’’ em Londrina, em 2003.
‘‘O novo trabalho não vai ter formação básica de rock, com guitarra, baixo e bateria. Vai ser uma coisa bem louca, diferente, com sax barítono, piano, bateria e voz. Vou ousar mesmo, quero fazer uma coisa diferente pra mim. Não sei ainda se vou manter o nome Patife Band nem se o nome do álbum (Pigs & Blaarghhh!!) será o mesmo. Tenho de dez a 12 músicas para usar, estou adequando o formato, organizando direito. Estamos querendo gravar em fevereiro, nem que for um single, um EP com seis músicas ou até mesmo um álbum completo, para mostrar a sonoridade nova mesmo. Agora vai sair, acredito que não vai ter mais problema, porque antes o pessoal tinha muitos compromissos’’, adianta Paulinho.

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