A lenda do estudante que comeu seis X-Montanhas
O japonês Hiroyuki Ota, 78, nascido no estado de Fukushima, veio para o Brasil aos quatro anos. Ele é o dono da Lanchonete Montesquieu, na Rua Desembargador Westphalen, 918. Comprou o espaço em 1978 e decidiu manter o nome. Lá, todos o conhecem por José.
O primeiro lanche peculiar que nasceu ali foi Monstrinho, quando um sujeito não satisfeito com o tamanho de seu X-Salada pediu que José adicionasse um bolinho de carne.
Nada, porém, se iguala à popularidade do X-Montanha (R$ 4). Ele é o irmão mais velho e recheado do X-Pastel, criado durante o Governo Sarney, quando houve congelamento de preços e dificuldade para se comprar carne. A solução foi vender risoles no pão de hambúrguer (sendo as opções de recheio carne, queijo ou palmito a critério do cliente).
O X-Montanha foi criado alguns anos antes, em meados da década de 1980. Apesar de parecido, ainda vem com um bolinho de carne. ''A minha dica é pedir um Monstrinho mais um pastel. Sai 0,30 centavos mais barato e ainda vem com molho'', diz o estudante de Engenharia Eletrônica Fernando Shirakura, 22 anos e entendido do assunto.
Como ele, muitos clientes de José são alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). O dono, que trabalha ao lado do filho, Álvaro, lembra que algumas pessoas pedem para colocar até quatro salgados no pão de hambúrguer.
Mas ele tem respeito à vida humana: quando um rapaz, bem magrinho segundo sua descrição, pediu o quinto X-Montanha, ele não serviu. Pediu desculpas, mas não queria ver o sujeito passando mal.
''Nos corredores da faculdade, tem a lenda de que um homem já comeu seis. Quando você começa a comer é difícil, mas depois fica tranquilo'', comenta o estudante Renato Dombrowski, 26. Para ele, o segredo está no molho e a refeição não é completa sem uma gasosa. (R.U.)





