A hora é essa!
O homem que, na juventude, conviveu, em sua casa, com líderes que consolidaram o Estado de Israel; que, na mocidade, conviveu com gente do calibre de Mário Henrique Simonsen, Roberto Campos, Helio Jaguaribe, San Tiago Dantas e Octávio Bulhões; que, um pouco mais maduro, conviveu com o desafio de ser prefeito do Rio de Janeiro; que, mais experiente, foi membro ativo das discussões que levaram ao histórico Tratado da Antártica. Enfim, um homem como esse, definitivamente, tem o que falar.
Israel Klabin descende de uma família que há 200 anos vivia da conservação de florestas boreais da Lituânia e, há 20 anos, participou intimamente de toda a formulação da maior conferência mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92.
Em "A Urgência do Presente", ele utiliza toda essa bagagem para passar um recado muitíssimo claro: se quisermos fazer algo para que nossas vidas e as vidas de nossos netos não fiquem seriamente comprometidas, a hora é essa! Nas 372 páginas do livro, com um didatismo surpreendente, o autor parte da etimologia da palavra "ecologia" e perpassa todo o histórico do movimento ambientalista para concluir que a década que vivemos é assustadoramente decisiva para todos nós.
Tem de ser nesse período, assinala ele, que precisamos aparar todas as arestas e equacionar todos os pontos necessários à manutenção da vida na Terra de forma minimamente parecida com a que conhecemos hoje. A mudança climática está aí, meu irmão, e temos de reduzir em 80% a emissão de gases do efeito estufa até 2020 para que, até o fim do século, o aumento médio da temperatura no planeta não passe de dois graus.
"A presente década é crítica. Se for perdida essa chance", diz Klabin, "a retomada mais tarde terá de ser feita em prazos mais curtos e a custos financeiros e políticos muito maiores". O autor deposita na Rio+20 a nova conferência mundial para o meio ambiente e desenvolvimento esperanças reais de mudanças.
"A Urgência do Presente" fala de todos os novos paradigmas: governança, economia verde, mecanismos de desenvolvimento limpo e tudo o mais que deve, obrigatoriamente, permear nossas vidas daqui pra frente. É, sobretudo, um guia prático para quem quer entender o que se passa. Klabin encerra o livro descrevendo dois cenários para 2050, o pior e o melhor possível, dependendo do que fizermos até lá. Não queira conhecer o pior cenário. É estarrecedor.





