A hora e a vez das engenharias
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Diego Prazeres<br> Reportagem Local 
O desenvolvimento de novas tecnologias e o acelerado investimento público em obras de infraestrutura a partir da última década abriram as portas para o mercado das engenharias. Em Londrina e região, são quase 15 cursos de graduação ofertados em cinco instituições Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Unopar, UniFil e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Além das tradicionais Civil, Elétrica e Mecânica, há oferta de ensino em áreas como Engenharia Ambiental, de Materiais, de Produção, Software, Eletrônica, Controle e Automação, Computação e Química. O número aumenta se forem considerados os cursos técnicos e tecnológicos.
O pró-reitor adjunto de graduação e educação profissional da UTFPR, Carlos Henrique Mariano, diz que a expansão está diretamente relacionada à demanda por infraestrutura. "Quando se fala em engenharia, estamos falando em estrutura de estrada, de edificações, energia, e tudo está relacionado ao desenvolvimento. Quando uma região começa a se desenvolver começa a demandar esse tipo de profissional, que vai estabelecer as redes de comunicação, esgoto, energia, vias terrestres. Somente países com infraestrutura muito grandes, que são minoria, é que demandam menos, mas aí a engenharia passa para um outro nível, sai daquela coisa de construir estrada e vai para o controle de tráfego, áreas mais avançadas", avalia.
A UEL oferece os cursos de Engenharia Civil e Elétrica e pleiteia perante o Ministério da Educação (MEC) a instalação de novas faculdades de engenharia. A UniFil tem duas turmas formadas em Civil, algo em torno de 115 graduados, e também já pensa na abertura de novos cursos. O reitor da instituição, Eleazar Ferreira, diz prever que somente em três a quatro anos é que a cadeia produtiva conseguirá suprir a demanda por novos engenheiros. "Como durante anos não havia formação suficiente de engenheiros, quando o Brasil cresceu faltou profissional no mercado. Há um gargalo no País", observa. Ferreira vê na diversificação das atividades ligadas à engenharia o fator que explica o aquecimento do setor. "Mesmo na engenharia civil, a formação é muito mais do que para exercer a engenharia. Muitos viram consultores, executivos, coachings na área de gestão, planejamento. Hoje o egresso do ensino superior não se prende mais unicamente à carreira de formação."
Para o diretor das unidades Catuaí e Tietê da Unopar, Carlos Henrique Vici, a inovação tecnológica exigiu novas especializações na engenharia, gerando demandas que as instituições de ensino superior foram obrigadas a atender. "As empresas cada vez mais buscam inovações e isso faz com que gente precise ter pessoas também mais qualificadas. Antigamente, o engenheiro era civil e mecânico, o eletricista surgiu mais no final dos anos 90. E agora esse mercado abriu, tanto que existe no Brasil a engenharia de pesca. Tudo devido à especialização que precisamos ter para cada área afim", aponta. Vici afirma que a abertura dos cursos específicos de engenharia atende às exigências do mercado produtivo e ao potencial de desenvolvimento de Londrina e região.
"Nós somos privilegiados, temos recursos naturais em abundância. Se houver um planejamento na região, e isso depende de Plano Diretor e várias questões de gestão e arranjo tecnológico local, temos como crescer de uma forma que nunca vai poder acontecer por exemplo em São Paulo. Nós podemos oferecer às empresas, além de engenheiros qualificados, recursos naturais que fazem de Londrina uma região diferenciada", aponta.
E o mercado local absorve os engenheiros formados em nosso polo universitário? "O engenheiro que formamos vai ter emprego. Mesmo em Londrina, porque são banda larga. Muitos deles não necessariamente vão trabalhar com engenharia, temos muitos casos de engenheiros requisitados para trabalhar na área financeira para fazer cálculo de análise de risco", diz o pró-reitor da UTFPR, Carlos Henrique Mariano. No caso dos cursos de engenharia da produção, química e controle e automação, o setor industrial tem requisitado os futuros profissionais mesmo antes de eles concluírem a formação, segundo os diretores acadêmicos das instituições.


