A hora do adeus
Tatuxa Fumagalli morreu em 1999. O mais triste para Sandra Fumagalli, 53, a proprietária da cocker spaniel inglesa de nove anos, foi saber o destino do corpinho: deixado em uma veterinária, acabou no lixão para ser incinerado junto aos resíduos hospitalares - destino de boa parte dos animaizinhos mortos na cidade. Foi aí que Sandra decidiu abrir um cemitério para pets.
Em 2001, depois de quase dois anos, conseguiu a licença e inaugurou, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), o Jardim do Bom Amigo, onde já vendeu 1.700 lotes. As lápides lembram as de um cemitério para humanos e usualmente vêm acompanhadas não apenas do nome, sobrenome e datas de nascimento e falecimento como foto do pet - em alguns casos no colo do dono. Entre cães, gatos, tarturagas, coelhos e hamsters, ali estão enterrados Pavarotti e Tic Tac, dois canários.
A pedido do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), as urnas são de papelão. Os espaços custam entre R$ 260 e R$ 1.332, em um valor que inclui o traslado e os custos com o enterro e a lápide. ''Já vi famílias lotarem quatro carros e ficarem horas rezando ao redor do túmulo. Tem uns que vêm toda semana e outros que acreditam que cachorro tem alma'', comenta Manuel de França, 47, que trabalha na manutenção do local.
A pinscher Mini viveu por nove anos antes de ser enterrada ali, onde descansa ao lado de sua filha Buba. ''Nos apegamos como se fosse alguém da família. Sempre que podemos, estamos aqui'', conta a costureira Gilda de Fátima dos Santos, 47. Hoje, ela vive com Pipoca, a outra filha de Mini, a dálmata Deka e seu esposo, Joel de Pilar Cruz, 71, que trabalhou no Jardim do Bom Amigo por quatro anos. ''O animal é mais amigo. Ele sempre te encontra feliz. Já o ser humano deseja o mal do outro'', diz o esposo.
Aos interessados no tema: não deixem de ver ''Gates of Heaven'' (1978), filme do documentarista Errol Morris sobre os cemitérios de animais nos Estados Unidos. (R.U.)





