A hora e a vez do litoral do Paraná
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de agosto de 2010
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Durante anos e anos o Litoral do Paraná foi considerado patinho feio das praias brasileiras, preterido pelos paranaenses, que preferiam passar o verão nas praias catarinenses. Apesar de muitos ainda preferirem Santa Catarina, de um ano para cá, as praias paranaenses assistem a um movimento de retorno dos veranistas, fenômeno que reflete no mercado imobiliário do Litoral. Depois de longo período de estagnação, os imóveis estão em alta.
A maior valorização está em Caiobá, balneário de prédios altos e de alto padrão, no município de Matinhos, reduto de veranistas de classes alta e média. Ali, um apartamento de alto padrão de frente para o mar pode custar até R$ 3 mil o metro quadrado, valor equivalente a Curitiba. De modo geral, no entanto, os preços ainda estão aquém não apenas dos praticados na Capital, mas também dos imóveis comercializados em Santa Catarina.
Por mais que os preços tenham aumentado no ano passado, ainda é convidativo. Hoje temos muita procura por pessoas que estão se desfazendo de imóvel em Balneário Camboriú (SC) e comprando no Litoral do Paraná, que fica bem mais perto e tem uma boa estrada, ao contrário do trânsito pesado para Santa Catarina, avalia Pedro Nachornik, representante de uma imobiliária no Litoral.
Ele explica que o que ocorreu foi uma recomposição dos preços, que estavam muito baixos. Em 2008 e 2009, segundo ele, os preços aumentaram 30% a cada ano, e a tendência, avalia, é de aumentar ainda mais. Quem comprou há dois anos, já ganhou 60% porque os preços estavam defasados. Acredito que daqui a seis meses aumentará ainda mais uns 30%, o que torna os imóveis um bom negócio neste momento, afirma.
De acordo com Nachornik, a maior procura é por imóveis em Caiobá e no centro de Guaratuba, dois locais de melhor infraestrutura para receber o veranista. Os preços variam conforme a localização, proximidade do mar e infraestrutura. Mais caro é em Caiobá, depois o preço vai reduzindo na medida que sai desse miolo, diz.
Segundo Fabiano Berté, gerente de uma imobiliária na região de Caiobá, Shangri-lá e Praia de Leste, um apartamento de dois quartos, com uma suíte, banheiro social, churrasqueira e sacada, com cerca de 100 metros quadrados custa entre R$ 130 mil e R$ 140 mil nos demais balneários, mas o valor salta para R$ 200 mil em Caiobá. No extermo sul do Litoral, o balneário Atami, que fica no município de Pontal do Paraná, quebra essa regra. Como reúne casas de alto padrão e tem boa estrutura seus preços equivalem com Caiobá, segundo Pedro Nachornik.
Guaratuba tem preços superiores aos demais balneários, mais ainda inferior em 25% com relação a Caiobá. Outro diferencial é que a cidade tem poucos prédios, reflexo do seu plano diretor que limita as construções em, no máximo, cinco andares. É para evitar que aconteça o mesmo problema de (Balneário) Camboriú, onde os prédios tiraram o sol da praia, explica Cássio Vinícius Simão, gerente de Marketing de uma outra imobiliária que atua em Guaratuba. Assim, a maior oferta é de residências usadas, segmento também atingido pela valorização.
Lançamentos
Aloir Magrão, de uma construtora que atua no Litoral, diz que desde 2008 o mercado voltou a aquecer na região. A construtora está com dois lançamentos de edifícios em Caiobá de alto padrão. Um deles tem 20 apartamentos, com quatro coberturas duplex, e começa a ser entregue aos compradores, que pagaram R$ 240 mil nas unidades de 110 metros qudrados e até R$ 500 mil nas coberturas. Já o outro empreendimento, com entrega para 2001, tem apenas seis apartamentos em três andares. O preço varia de R$ 450 mil a R$ 700 mil para as coberturas.
Segundo Magrão, 80% dos compradores são de Curitiba, mas também há muita procura por pessoas da Região Norte e até do interior de São Paulo. São empresários e profissionais liberais que querem um imóvel onde tenham tranquilidade e segurança, diz.
O programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal também aqueceu a compra de imóveis entre 50 a 100 metros quadrados. É o que mais vende por conta do financiamento mais barato, diz Fabiano Berté. De acordo com ele, imóveis com esse perfil não param na pasta da imobiliária. Assim que entram, já saem, diz. Em outra imobiliária, estão sendo vendidos cerca de 30 imóveis por mês com esse perfil, o dobro de outras épocas.


