A Grande Árvore
É impossível não admirá-la. Quem passa pelo HU rumo aos bairros mais distantes da zona leste depara com um gigante da natureza possivelmente a maior árvore da área urbana de Londrina. Tem estimados 22 metros de altura. As raízes, irradiadas em todas as direções, chegam ao dobro desse tamanho, no mínimo. A copa, com 35 metros de comprimento, alcança as duas calçadas da Avenida Robert Koch, como se formasse um portal. É, de fato, exuberante aquela seringueira.
Seringueira?
É o que pensam dez em cada dez pessoas que passam por ali. Por conta do látex que sai do seu caule, imagina-se que seja da espécie que impulsionou o crescimento de Manaus, Porto Velho e Belém durante o Ciclo da Borracha, na virada do século XIX para o século XX. Ledo engano.
É uma figueira!
"Todos confundem, inclusive os próprios estudantes de Biologia", afirma Moacyr Medri, doutor em Botânica pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e professor aposentado da UEL. "A confusão se dá porque é muito leitosa", ele explica. "O látex dela também dá borracha, mas tem composição muito baixa em relação ao da seringueira, o que a torna inviável economicamente", acrescenta. "Nem parentes elas são."
Diferentemente da seringueira, pertencente à família Euphorbiaceae e nativa da região amazônica, a figueira ou Ficus elastica, da família Moraceae é uma árvore exótica no Brasil. É originária do Sudeste Asiático e, segundo Medri, aqui chegou pelas mãos de imigrantes. Ao contrário da seringueira, que se assemelha mais ao brasileiríssimo ipê, a figueira não dá flores nem frutos; se reproduz por estacas.
De baixa resistência, a madeira também não é explorada comercialmente. É, portanto, uma planta ornamental, que tem um ritmo de crescimento impressionante. Enquanto a peroba rosa, por exemplo, absorve de 10 a 12 miligramas de gás carbônico por hora em cada decímetro quadrado de folha, a figueira absorve de 30 a 36 mg.
"É uma árvore voraz, que não rejeita solo; para ela, qualquer barranco serve. Em terras profundas e férteis, cresce ainda mais vigorosa. Em seu habitat natural, como a Malásia, pode chegar a 60 metros de altura."
O homem que ajudou a plantar "A Grande Árvore" da Avenida Robert Koch mora a poucos metros dali. Olívio Gaion, que muito pequeno ganhou o apelido de Léo, chegou à cidade, com a família, em 1942, proveniente de Ibitinga, SP. O pai, José Souza Gaion, comprou um sítio de cinco alqueires, mais tarde cedido à família Garcia em troca do asfalto no loteamento que viria a ser o Jardim Gaion.
"Lá onde está a árvore ficava a porteira do sítio", conta Léo, hoje com 67 anos de idade. "Fomos pescar no Três Bocas, eu, meu pai, um tio e um pessoal do sítio, e na volta achamos umas mudas no meio do pasto do Pimpão. Arrancamos duas, com raiz e tudo, e plantamos ao lado dos palanques da porteira. Uma delas, quando já tinha uns seis metros, nós cortamos porque estava forçando o palanque. A outra ficou, e virou aquilo lá. Num instantinho ela já estava uma arvrona."
Léo arrisca que o ano do plantio tenha sido 1952, o que confere á figueira a condição de sexagenária. Mas o que, afinal, teria atraído a atenção dos Gaion a ponto de terem pegado as mudas perto do Ribeirão Três Bocas para plantar no sítio? Léo responde:
A gente achou que era seringueira.





