A vontade de entrar no Exército era tanta que, aos 17 anos e nove meses, Fernando Francischini se alistou. ''O mais difícil foi esperar os três meses para poder andar armado.'' Londrinense, Francischini é formado em Direito e foi oficial da Polícia Militar antes de comandar um pelotão da Rone. Hoje, aos 38, carrega a experiência de 12 anos como delegado da Polícia Federal. ''Tentáculos'', ''Março Branco'', ''Ícaro'' e ''Zapata'' foram algumas das principais operações da PF dos últimos anos. Francischini estava por trás de todas elas.
Antes de assumir a Secretaria Antidrogas Municipal (SAM), que completou quatro meses no último sábado, ele ainda seria um dos responsáveis pelas prisões do traficante de drogas colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia e do contrabandista Law Kim Chong. ''Em novembro do ano passado eu vim visitar a família em Curitiba. Foi o deputado estadual Ney Leprevost quem me apresentou ao prefeito. Ele disse: 'Beto, este é o delegado que prendeu o Abadia', ao que o prefeito comentou: 'Então por que você não faz um projeto para combater a violência aqui na cidade'? Ainda que não seja da competência da prefeitura, temos de ajudar.''
Esse é um dos temas caros ao secretário. Sobre a relação com o governo do Estado, é de poucas palavras. ''É difícil, é difícil.'' Por ser ano eleitoral, a dificuldade é maior ainda. ''Mas tenho esperanças. Acho que, passado esse período, podemos trabalhar juntos'', diz, um tanto resignado por não poder ir para a ação.
Diferente daquele por quem se espelha, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, Francischini, como secretário municipal, não tem o poder de polícia, pois no Brasil a função cabe aos governos estaduais e Federal. ''Admiro o Giuliani. Ele limpou a polícia e fez ações sociais, coisa que o governo Federal tenta, mas não consegue.''
Como a Folha de Londrina já tratou em reportagem anterior, a galinha dos ovos de ouro do secretário é a Rede de Colaboração Curitibana, que será lançada hoje à noite na Ópera de Arame. É o que ele chama de mega-projeto. Uma rede de colaboradores, que informariam por um sistema online baseado em conceitos da PF tudo o que sabem sobre o tráfico de drogas na sua região. ''A informação vai chegar mastigada às polícias. Vamos falar quem é o cara, onde vive, seu telefone e onde atua. Ao mesmo tempo, vamos enviar uma cópia disso ao Ministério Público (MP), para que cobre essa ação.''
Segundo a assessoria do MP, houve uma conversa preliminar sobre a parceria, mas até o momento ainda não foi acertada. Quanto ao secretário de segurança pública do Estado, Luiz Fernando Delazari, a FOLHA fez um pedido de entrevista, mas ele não comentou o assunto.
O treinamento dos colaboradores de Francischini começou no dia 24 de maio, quando 2.200 deles passaram por uma seminário de quatro horas sobre drogas, incluindo uma palestra com o próprio secretário. O palco para o evento foi uma igreja evangélica, na Cândido de Abreu. Dos presentes, 800 eram pastores. ''Imagine que cada uma delas repasse essa informação para outras 100. Logo, serão 220 mil.''
Questionado sobre a possibilidade real de alcançar tantas pessoas, Francischini comenta: ''Mesmo que seja multiplicado por dez, alcançaremos com essa primeira palestra 22 mil pessoas, que já é um número grande.''

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