À flor da pele, emos mostram sentimentalismo
''Uma lágrima rolou do meu olho ao perceber que era a única vez que eu ia ver você, outra lágrima rolou dentro do meu coração ao ver a velocidade com que as vidas vêm e vão (...) E eu quero saber como proceder, pra esquecer da tua voz, do teu viver''.
A letra acima não faz parte do repertório de Sandy & Júnior nem de qualquer outro grupo sertanejo, mas sim do gênero musical emo ou emotional hardcore, tipo de música que está atraindo e reunindo cada vez mais um grande número de adolescentes. As palavras sentimentais acima se referem a um trecho da música ''Duas Lágrimas'', da banda gaúcha Fresno, uma das preferidas dos emos.
O termo emo foi originalmente dado ao estilo das bandas do cenário punk dos Estados Unidos, na década de 80, que tocavam de forma mais emotiva que o normal. Uma música não pode ser emo se ela não conter sentimentos como o amor, a decepção e a dor.
Aqui no Brasil, emo já é sinônimo de estilo de vida, com visual e atitudes próprias. Em Londrina, os grupos são facilmente encontrados nas portas das escolas ou no centro da cidade, mais precisamente no Calçadão. Além da mochila, da camiseta, munhequeira e do cabelo, eles possuem linguagem característica, na qual o diminutivo é a regra principal: ''bichinho'', ''cãozinho'',''lindinho''.
O estudante Alancy Adalito Domingues, 18 anos, é um emo assumido. Há cerca de um ano, depois que os amigos passaram a chamá-lo de emo, Domingues percebeu que estava mesmo se adaptando ao estilo. ''Eu não tinha assim um estilo próprio. Andava de skate mas não gostava de usar roupas largas e gostava de bandas emos. Hoje me considero emo principalmente por causa das roupas e das músicas que curto'', disse.
Roupas retrô, maquiagens no rosto e semblante melancólico marcam o estilo dos emos. Muitos, segundo Alancy, sofrem preconceito e são ridicularizados por jovens da mesma idade que não se identificam com o som melancólico das bandas emos.
A estudante Amanda Kawasski de Oliveira, 14 anos, adora as músicas e disse que segue os emos há pelo menos dois anos. ''Começaram a me chamar de emo então resolvi assumir. Eu não ligo para os comentários. Tem gente que fica falando que somos choronas ou revoltadinhas, mas não tem nada a ver. Eu gosto das músicas porque são românticas e bonitas'', comenta.(F.B.)





