Construções dominam a paisagem urbana no país. Londrina é uma grande prova disso. De alguns anos para cá, a quantidade de prédios levantados teve um crescimento pesado. Se olharmos para o alto observamos prédios que, a cada ano, se proliferam em arquiteturas imponentes ou - nem tanto. O momento é mesmo de pujança e toda essa frenesi tem ligação direta com o maior poder aquisitivo das pessoas.
Em 2007, uma pesquisa feita pela Brain Consultoria, de Curitiba, a pedido do Sebrae e Sinduscon Norte, apontou que Londrina contava com 412 prédios acima de 12 andares. Computados os números de construções com menos pavimentos, esse número saltava para mais de mil. Naquela época, o Sindicato da Habitação e Condomínios (Secovi) divulgou a existência de 1.140 prédios, sendo que desse total 590 estavam localizados no centro.
Esses dígitos colocavam Londrina na sétima posição em número absoluto de prédios no Brasil e a deixava em 12 lugar no mundo na relação entre edifícios e população. Passado pouco mais de três anos, o Secovi-PR regional Norte, informou que a cidade conta atualmente com cerca de 1,4 mil condomínios, sendo comerciais e residenciais, na vertical ou horizontal. O que significa que a cidade ganhou, nos últimos 36 meses, 260 condomínios.
''As pessoas têm uma tendência de morar perto de tudo. Fora isso, querem lazer, maior número de garagem e condomínio mais barato. As construções de hoje possuem muitos apartamentos, o que favorece um condomínio mais barato. A sociedade evolui e os prédios oferecem muitos diferenciais, o que entusiasma as pessoas na hora da compra'', disse Nestor Dias Correa, vice-presidente do Secovi-PR regional Norte.
O engenheiro e coordenador do curso de engenharia civil da UEL, Aron Lopes Petrucci, atenta para vantagens e desvantagens da verticalização da cidade. Ele lembra que o fator segurança pesa muito na escolha de quem opta em morar em um prédio, no entanto, ressalta a desvantagem de juntar muitas pessoas em pouco espaço. ''A Gleba Palhano (Zona Sul), dentro de alguns anos, vai enfrentar um trânsito horrível. As construções naquela região não param de crescer e muita gente está optando em morar ali. Por outro lado, Londrina atingiu um tamanho que quem escolhe em morar em condomínio horizontal, acaba ficando longe de tudo'', lembra.
Prós e contras acabam sendo subjetivos na questão de moradia não só em Londrina, mas em todo país. No que diz respeito a condomínios horizontais, as cidades precisam contar com um sistema de transporte público digno de metrópoles europeias, por exemplo, o que estamos muito longe de alcançar. Sendo assim, a verticalização, como sinônimo de adensamento populacional, acaba sendo uma solução positiva, pois otimiza o ocupação do solo, trazendo, na maioria das vezes, as pessoas para perto do trabalho, estudo, melhorando o uso da infraestrutura e serviços da cidade.
''Se tivessemos uma melhor segurança e transporte público, eu diria que não teria o mínimo sentido vertizalizar, mas não é o caso. Outro detalhé é que, construir uma casa dá muita dor de cabeça. Já comprar um apartamento é bem diferente. Temos a opção de ver o espaço antes, o que diminui o risco de errar na hora da escolha. Sem contar que o financiamento está mais simples e fácil'', completa Petrucci.
O crescimento de Londrina de baixo para cima ainda cabe muito mais investimento. Superar as preciosas estatísticas é o que o mercado imobiliário almeja a cada ano. A transformação da cidade, diante dos fatos e dos nossos olhos, é algo inevitável. ''Estamos vivendo uma época de grande poder aquisitivo, cada qual com sua renda. Londrina é uma cidade com mais de 500 mil habitantes, uma cidade universitária, com um mercado firme. Não digo que o impulso será sempre o mesmo, mas tenho certeza que ainda vamos continuar construindo e vendendo muito'', finaliza Nestor Correa.

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